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Compras públicas não impedirão que produtores tenham prejuízo com o tarifaço, avalia economista

Compras públicas não impedirão que produtores tenham prejuízo com o tarifaço, avalia economista
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O governo federal divulgou na segunda-feira (25) a lista de alimentos atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos que passarão a integrar o programa de compras públicas. A iniciativa busca garantir o escoamento da produção e a renda de produtores e exportadores prejudicados.

Para o economista Alessandro Azoni, no entanto, a medida não impedirá que os produtores tenham perdas significativas. Segundo ele, os preços praticados nos programas governamentais ficam muito abaixo da cotação internacional, que é feita em dólar, reduzindo drasticamente a margem de lucro dos agricultores.

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“O produtor vai ter prejuízo, porque os preços internos usados pelo governo ficam aquém do mercado internacional e, muitas vezes, não cobrem sequer os custos de produção”, avaliou.
Além da compra pública, o governo anunciou o Plano Brasil Soberano, pacote estimado em R$ 30 bilhões que inclui linhas de crédito subsidiado e outras ações emergenciais. Azoni alerta, contudo, para o impacto nas contas públicas.

“Fechamos julho com déficit de R$ 47 bilhões. Com esse programa, poderemos ultrapassar R$ 80 bilhões até o fim do ano. Minha preocupação é de onde sairá esse dinheiro, já que o arcabouço fiscal prevê déficit zero em 2024 e superávit a partir de 2025”, destacou.

O economista também observa que os gastos podem ultrapassar o valor anunciado, já que o próprio presidente Lula afirmou que os R$ 30 bilhões seriam apenas o início do plano.

“Isso abre uma lacuna preocupante. Vemos o presidente falar em mais verbas, mas não há posicionamento claro do Ministério da Fazenda ou do Planejamento sobre a viabilidade. É como se o dono da empresa prometesse investimentos, mas o diretor financeiro não confirmasse os recursos”, disse.

Na avaliação de Azoni, o governo também falhou na condução diplomática com Washington. Ele defende que Lula deveria ter adotado postura mais ativa, aproveitando a vulnerabilidade econômica dos Estados Unidos, que enfrenta inflação elevada e riscos de desabastecimento.

“O agro representa mais de 20% do PIB brasileiro e exigiria maior presença do presidente nas negociações. Outros países atingidos reagiram de forma mais imediata. O Brasil demorou, e hoje quem está negociando diretamente são as cooperativas e empresas exportadoras com seus clientes nos EUA”, criticou.

Para ele, o momento poderia ter sido usado como oportunidade estratégica. “O tarifaço eleva em até 50% o preço dos produtos brasileiros nos EUA. Isso agrava a inflação deles e gera carência de itens como café, carnes e pescados. O Brasil poderia ter explorado melhor essa fragilidade para buscar um acordo mais favorável”.

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