A renovação do PACIC, programa do governo do México para conter a inflação de alimentos, altera o ambiente comercial para as carnes brasileiras. Conforme análise do setor produtivo, as novas tarifas reduzem a competitividade do Brasil, especialmente na carne suína e bovina, mas não interrompem o fluxo comercial.
A decisão mexicana mantém a isenção tarifária para alguns produtos, como a carne de frango, e retira o benefício da carne suína e bovina. Com isso, o Brasil passa a enfrentar alíquotas que encarecem o produto no mercado mexicano, hoje um destino relevante das exportações.
Impacto sobre a carne suína
No caso da carne suína, o México passou a aplicar uma tarifa entre 16% e 20%, dependendo da classificação do produto. Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a medida tende a limitar o avanço dos embarques brasileiros.
O México vinha ampliando as compras nos últimos meses, com volumes mensais entre cinco mil e dez mil toneladas. A nova tarifa reduz a competitividade do produto brasileiro frente à carne suína dos Estados Unidos, principal fornecedor do mercado mexicano, favorecido pela proximidade geográfica.
Mesmo com a perda de competitividade, o analista avalia que a manutenção de volumes próximos a cinco mil toneladas mensais ainda seria um resultado positivo. Entre janeiro e novembro do ano passado, o México importou setenta e 4 mil toneladas de carne suína do Brasil, volume inexistente em 2024.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que a alíquota não inviabiliza o comércio. A entidade destaca que o crescimento dos embarques em 2025 superou 71% e que existem regras de transição no decreto mexicano, preservando contratos firmados anteriormente.
Efeito limitado na carne de frango
A carne de frango permanece isenta de tarifa dentro do PACIC. O México é o quinto maior destino do produto brasileiro. Entre janeiro e novembro do ano passado, as importações somaram 238 mil toneladas, com crescimento de 16% na comparação anual.
Segundo a ABPA, a manutenção do benefício reforça a previsibilidade do comércio e garante a continuidade dos embarques ao mercado mexicano.
Perda de espaço na carne bovina
Para a carne bovina, a tarifa definida é de 25% por cento. O analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, avalia que a medida reduz de forma significativa a competitividade do Brasil.
Em 2025, o México importou cerca 166 mil toneladas em equivalente carcaça, volume bem acima do registrado no ano anterior. Com a nova tarifa, a expectativa é de redução desses embarques, com maior espaço para fornecedores como os Estados Unidos.
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