O Brasil acaba de habilitar 14 novas plantas frigoríficas para a exportação de carne bovina à Indonésia. A informação foi transmitida pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, que integra delegação nacional oficial na Gulfood, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do Oriente Médio, que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, até sexta-feira (30).
Em setembro do ano passado, 17 indústrias já haviam conseguido o aval para embarcar a proteína ao país asiáticoo quarto mais populoso do mundo, com cerca de 287 milhões de habitantes. Agora, ao todo, 52 plantas têm permissão sanitária para enviar cortes bovinos à Indonésia.
As novas indústrias autorizadas são:
- Três da JBS — Andradina (SP), Anastácio (MS) e Campo Grande (MS)
- Cooperfrigu — Gurupi (TO)
- Distriboi — Ji-Paraná (RO)
- Fisacre – Rio Branco (AC)
- Fribal — Imperatriz (MA)
- Frigol — São Félix do Xingu (PA)
- Frigorífico Pantanal — Várzea Grande (MT)
- Mercúrio — Castanhal (PA)
- Minerva — Barretos (SP)
- Primafoods — Araguari (MG)
- Zancheta — Bauru (SP)
A conquista traz fôlego ao setor, que começou 2026 impactado com as cotas implementadas pela China, em voga a todos os parceiros. No caso do Brasil, o gigante asiático limitou as compras de carne em 1,1 milhão de toneladas, com tarifas de 55% sobre o volume excedente, medida que deve vigorar até 2028.
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“No final do ano passado nós tivemos uma missão presidencial na Indonésia, com o presidente Lula, onde realizamos um encontro empresarial lá. Juntos, o ministro Carlos Fávaro, o secretário Luis Rua e nós todos trabalhamos para ampliar o número de empresas que vendem carne bovina para a Indonésia, que é um dos maiores países da Ásia (…). O mercado da Indonésia é tão importante quanto o da China”, ressaltou o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Jorge Viana.
‘Consumo interno e externo em alta’
Viana ressaltou que muitos consumidores brasileiros temiam que o aumento de exportações de carne poderia levar à falta do produto no mercado interno e o consequente aumento do preço. No entanto, ele afirma que, com base nos dados, o consumo interno está aumentando e as vendas externas também, inclusive com recordes.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entre janeiro e novembro, o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, com receita de US$ 16,18 bilhões, crescimento de 37,5%.
“O déficit de carne bovina no mundo é estrutural, é realidade, e o Brasil passa por um processo de ganho de produtividade com a aplicação de novas tecnologias. Esse ganho de produtividade garante tanto o abastecimento interno como gera excedentes substanciais para que o Brasil participe do mercado global que, por sua vez, possibilita a gente retroalimentar toda a cadeia produtiva trazendo valor até o produtor”, destacou o diretor executivo de Originação e Confinamentos da JBS Friboi, Eduardo Pedroso.
Restrições da China

Em relação às cotas implementadas pela China para limitar a importação de carne bovina, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, reforçou que a Associação está procurando, junto ao governo, formas de mitigar o impacto da medida.
“O Brasil tem aberto novos mercados, novas oportunidades, mas ainda assim o volume que vai para a China é grande. Estamos fazendo novas tratativas para buscar equilibrar o mercado interno e externo e mitigar o impacto que essa decisão chinesa pode ter”, disse.
Perspectivas para 2026
Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, as perspectivas para o setor em 2026 são promissoras.
“Para a carne bovina foram 27 novos mercados abertos desde 2023. Só no ano passado foram 11 e, para 2026, temos perspectivas bastante positivas. Queremos explorar o mercado da Coréia do Sul, que tem bastante interesse na nossa pecuária; o Japão virá em março auditar o sistema brasileiro de inspeção, o que poderá abrir oportunidades com esse mercado; e tivemos essa notícia hoje dos novos 14 estabelecimentos aptos a exportarem para a Indonésia, uma ótima conquista. É um trabalho que não para”, disse.
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