O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 2,3% em 2026, com avanço mais moderado do setor agropecuário, estimado em 0,5%, segundo projeções divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo Ministério da Fazenda. Os números refletem um cenário de desaceleração da atividade econômica, após um desempenho mais forte do agronegócio em 2025.
De acordo com o relatório, o bom resultado da agropecuária no ano passado foi fundamental para compensar a perda de fôlego da indústria e dos serviços. A atividade rural surpreendeu positivamente, impulsionada por uma safra recorde de grãos, pela expansão de outras culturas agrícolas, pelo crescimento da produção de leite e pelo aumento do abate de animais.
Agro sustentou crescimento em 2025
Pela ótica da oferta, o Ministério destaca que o agronegócio teve papel central na sustentação da economia em 2025. Além da colheita recorde, houve avanço em diferentes cadeias produtivas, o que ajudou a mitigar os efeitos da desaceleração observada nos demais setores.
No setor industrial, o principal destaque foi a indústria extrativa, com crescimento expressivo puxado pelo aumento da produção de petróleo e minério de ferro. Em contrapartida, a indústria de transformação e a construção civil foram fortemente impactadas pela restrição de crédito e por condições mais adversas no comércio externo.
A produção de energia elétrica, gás e outras utilidades também apresentou desempenho fraco, influenciada pelo menor volume de chuvas e pela necessidade de acionamento de usinas termelétricas.
Serviços perdem ritmo apesar do mercado de trabalho resiliente
O setor de serviços desacelerou em 2025, mesmo diante da expansão da massa real de rendimentos. Segundo a Fazenda, o menor dinamismo foi sentido principalmente nos serviços prestados às famílias e no comércio, ambos afetados pela redução na concessão de crédito.
Subsetores considerados menos sensíveis ao ciclo econômico, como serviços financeiros, imobiliários e aqueles ligados à administração pública, também registraram desaceleração em relação a 2024.
Inflação recua e volta à meta
O menor ritmo de crescimento da economia contribuiu para a desaceleração da inflação. O IPCA recuou de 4,8% em 2024 para 4,3% em 2025, voltando ao intervalo da meta.
Entre os fatores que ajudaram nesse movimento estão a política monetária mais restritiva, a valorização do real frente ao dólar, o excesso de capacidade ociosa no cenário global e a queda nos preços internacionais de commodities energéticas e agrícolas. Esse conjunto de fatores levou a um recuo expressivo da inflação de alimentos, especialmente de produtos in natura e semielaborados.
Por outro lado, a inflação de preços monitorados avançou, pressionada por reajustes em tarifas, emplacamento e licença de veículos, jogos de azar e energia elétrica. Os preços de serviços também aceleraram, refletindo a baixa ociosidade do mercado de trabalho.
Expectativa para 2026 mantém crescimento moderado
Para 2026, a projeção do Ministério da Fazenda mantém o crescimento do PIB em 2,3%, levemente abaixo da estimativa anterior de 2,4%. A revisão foi motivada pela desaceleração mais intensa da atividade no segundo semestre de 2025, que reduziu o chamado carregamento estatístico para o ano seguinte.
Por setor, a expectativa é de desaceleração da agropecuária, compensada por maior expansão da indústria e dos serviços.
Agro cresce menos com safra menor
A projeção de crescimento de 0,5% para o agronegócio em 2026 reflete os primeiros prognósticos para a próxima safra. Segundo o relatório, a produção total de grãos deve ser inferior à registrada em 2025.
Apesar da expectativa de nova colheita recorde de soja e da expansão na produção de café e cana-de-açúcar, a Fazenda projeta queda na produção de milho e arroz, além de menor contribuição do abate de bovinos, influenciada pela maior retenção de fêmeas.
Indústria e serviços devem ganhar força
Para a indústria, o governo espera estímulos vindos da renovação da frota de caminhões, do programa Reforma Casa Brasil, voltado à ampliação do crédito para reformas habitacionais, e do novo modelo de direcionamento da poupança, que deve aumentar a oferta de crédito imobiliário. A entrada em vigor do Propag, com estímulo a investimentos públicos em nível subnacional, também tende a impulsionar o setor em 2026.
Já o setor de serviços deve crescer 2,4%, sustentado pela expansão da renda disponível, pelas novas regras de isenção do imposto de renda, pelo pagamento de precatórios e pela ampliação do crédito consignado privado. O início da flexibilização monetária, previsto para o fim de 2026, também pode favorecer os serviços mais sensíveis ao ciclo econômico.
Demanda interna volta a ganhar espaço
Pela ótica da demanda, a Fazenda projeta maior contribuição da absorção doméstica em 2026, enquanto a participação do setor externo tende a diminuir. O consumo das famílias deve ser impulsionado pelo aumento da renda, especialmente entre as classes mais baixas, enquanto o consumo público pode se beneficiar das eleições subnacionais.
As exportações, por sua vez, devem desacelerar, refletindo a menor produção agropecuária e um ambiente global ainda marcado por maior protecionismo.
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