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Juros altos e mercado futuro explicam queda do dólar, avalia economista

notas de dólar - CPI do Reino Unido

Foto de : Pixabay

O comportamento recente do dólar no Brasil tem sido influenciado mais por fatores financeiros do que pelos fundamentos da economia. A avaliação é do economista Roberto Troster em entrevista ao telejornal Mercado & Companhiado Canal Rural.

Na última quarta-feira (25), a moeda norte-americana atingiu o menor patamar em quase dois anos, cotada a R$ 5,12. No caso do agronegócio, a variação do dólar influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras.

Segundo Troster, em teoria, a taxa de câmbio deveria acompanhar a produtividade relativa entre os países.

“Se um país ganha produtividade, sua moeda tende a se valorizar. Caso contrário, o câmbio se ajusta”, explicou. Na prática, porém, essa relação não tem se confirmado no mercado brasileiro.

Mercado futuro determina a cotação

De acordo com Troster, o mercado futuro passou a exercer papel central na formação do preço do dólar no país.

“O mercado futuro virou o rabo abanando o cachorro”, afirmou. Segundo o economista, o volume negociado nesse segmento é maior do que no mercado à vista e conta com diferenças tributárias, o que amplia sua influência sobre a cotação.

Com isso, o câmbio acaba refletindo principalmente movimentos financeiros e expectativas dos investidores, e não necessariamente o desempenho da economia real.

Diferencial de juros atrai dólares

Outro fator determinante, segundo Troster, é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto a taxa brasileira está em 15% ao ano, os juros norte-americanos estão entre 3,5% e 3,75%. Nesse contexto, a diferença favorece a entrada de capital estrangeiro.

Ele ressalta, no entanto, que esses recursos não representam investimentos produtivos. “Não é dinheiro para comprar fazenda ou ampliar produção. É capital atraído pelo ganho financeiro”, disse.

Esse movimento aumenta a dependência do câmbio em relação às condições monetárias internacionais.

Câmbio sensível ao cenário político

Na avaliação do economista, o dólar também permanece altamente sensível ao ambiente político interno e externo. Qualquer ruído ou aumento da incerteza pode provocar mudanças rápidas na cotação.

Se não houver choques relevantes, a tendência é de continuidade da valorização da moeda norte-americana, ainda que em ritmo mais moderado.

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