A produção de flores e plantas ornamentais no Brasil tem ampliado o uso de práticas sustentáveis no campo. Tecnologias como captação de água da chuva, geração de energia solar e controle biológico de pragas vêm ganhando espaço nas propriedades e ajudam a reduzir o impacto ambiental da atividade.
Segundo o diretor do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), Renato Opitz, grande parte da produção ocorre dentro de estufas, o que facilita a adoção de sistemas mais eficientes de gestão de recursos naturais.
Captação de água da chuva
Um dos principais exemplos é o aproveitamento da água da chuva para irrigação e controle do clima nas estufas.
De acordo com Opitz, a estrutura das estufas permite coletar a água que cai sobre as coberturas plásticas. Esse volume é direcionado para reservatórios, tratado e reutilizado na produção.
“Grande parte da produção é feita dentro de estufas com cobertura plástica. Quando chove, essa água é recolhida, tratada e armazenada em reservatórios. Com uma boa gestão, ela acaba sendo suficiente para o uso na propriedade”, explica.
Além da irrigação, o recurso também pode ser usado para melhorar as condições climáticas dentro das estufas.
“Muitas vezes a irrigação por microaspersão também ajuda a melhorar o clima dentro da estufa, controlando temperatura e umidade e favorecendo a produção ao longo do ano”, afirma.
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Energia solar nas propriedades
Outra prática que vem se consolidando no setor é a geração de energia solar nas propriedades.
Segundo Opitz, produtores têm investido na instalação de painéis fotovoltaicos e, em algumas regiões produtoras, a maior parte da energia consumida já é gerada dentro das próprias fazendas.
“Em muitos casos, praticamente toda a energia utilizada é gerada na própria propriedade. E, em algumas situações, ainda há excedente que pode ser enviado de volta para a rede elétrica”, diz.
Além da redução de custos, o sistema também traz mais segurança para a produção, já que garante fornecimento estável de energia para as estruturas das estufas.
Controle biológico reduz defensivos
Dentro das estufas, o manejo de pragas também passou por mudanças importantes nos últimos anos.
O setor tem ampliado o uso de controle biológico, com a introdução de inimigos naturais para combater insetos que atacam as plantas.
Segundo o diretor do Ibraflor, a combinação entre barreiras físicas das estufas e melhor controle do ambiente interno contribui para reduzir a incidência de pragas e doenças.
“Hoje existe uma grande oferta de empresas que fornecem inimigos naturais para o controle biológico. Com isso, o uso de produtos químicos caiu mais de 80% no setor”, afirma.
Próximos avanços
Para os próximos anos, a tendência é de avanço em tecnologias que permitam produzir mais com menor consumo de recursos naturais.
Entre as soluções em desenvolvimento estão sistemas de irrigação mais eficientes e a reutilização da água dentro do próprio ciclo produtivo.
“Tudo que a planta não absorve pode ser captado, filtrado novamente e reutilizado. Isso faz uma grande diferença na gestão da água”, destaca Opitz.
Segundo ele, a combinação entre inovação tecnológica e boas práticas de manejo deve continuar impulsionando a sustentabilidade na floricultura brasileira.
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