O avanço do endividamento rural tem levado instituições financeiras a restringirem a concessão de crédito no agronegócio, em um momento de definição do planejamento da safra 2026/2027. Dados da Serasa Experian e avaliações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam aumento da cautela dos bancos, com redução de limites e exigência maior de garantias, inclusive para produtores adimplentes.
Segundo a Serasa Experian, no terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava inadimplente, em alta gradual na comparação com o ano anterior. De acordo com Marcelo Pimenta, head de agronegócio da empresa, o cenário ainda não caracteriza risco sistêmico para o sistema financeiro, mas já altera o comportamento do mercado de crédito. Ele afirma que a inadimplência está concentrada principalmente em operações com instituições financeiras, enquanto as dívidas diretamente ligadas à cadeia agro representam 0,3%.
Outro indicador de pressão é o aumento dos pedidos de recuperação judicial. Em 2025, o agronegócio registrou quase 2 mil solicitações, o maior volume da série histórica da Serasa Experian. Na avaliação da empresa, o ambiente de juros elevados, custos de produção ainda pressionados e maior percepção de risco reduziu o apetite das instituições para novas operações.
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A CNA informa que o endurecimento das condições já alcança produtores com boa saúde financeira. Segundo Guilherme Rios, assessor técnico da Comissão Nacional de Políticas Agrícolas da entidade, bancos passaram a exigir mais garantias e a ofertar limites menores do que em safras anteriores. Os dados da confederação mostram que os financiamentos para pessoas físicas com taxas de mercado caíram de R$ 111,9 bilhões, entre março de 2024 e março de 2025, para R$ 90,5 bilhões entre março de 2025 e março de 2026, recuo de R$ 21,4 bilhões, ou 19,1%.
A CNA atribui o quadro a uma combinação de eventos climáticos, volatilidade das commodities, alta dos custos e fragilidades na gestão de risco financeiro. Nesse contexto, a restrição do crédito pode levar produtores a reduzir pacote tecnológico e área plantada, com efeito potencial sobre produtividade e investimento no campo.
Segundo Serasa Experian e CNA, a evolução do crédito para a próxima safra dependerá da capacidade de renegociação das dívidas e das condições financeiras oferecidas ao produtor. Sem mecanismos mais ágeis, o setor pode enfrentar custo maior de financiamento e menor capacidade de investimento em 2026/2027. Não foram apresentados, no conteúdo disponível, dados consolidados sobre o impacto efetivo dessa restrição na área total a ser plantada.
Fonte: agência.fpagropecuaria.org.br
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