O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou, nesta segunda-feira (1º), que o Brasil avançou na melhora do quadro fiscal, mas ainda precisa de medidas mais amplas para colocar a dívida pública em trajetória de queda. Na declaração de fim de missão da Consulta do Artigo IV, realizada entre 18 e 29 de maio, o organismo recomendou que parte da arrecadação extraordinária gerada pela alta dos preços do petróleo seja poupada, e não incorporada integralmente ao gasto.
Segundo o chefe da missão do FMI, Daniel Leigh, as autoridades brasileiras adotaram medidas para melhorar a posição fiscal, mas o quadro ainda exige continuidade e maior ambição. O Fundo defendeu reformas fiscais, mobilização de receitas e enfrentamento da rigidez das despesas para ampliar a credibilidade da política econômica.
No documento, o órgão também recomendou apoio temporário e focalizado em caso de necessidade, em vez de medidas permanentes financiadas por receitas excepcionais. Para o FMI, economizar parte da arrecadação extra do petróleo ajudaria a reduzir custos de financiamento e abrir espaço para investimentos prioritários.
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O cenário externo foi citado como fator adicional de risco. Embora o Fundo avalie que o Brasil esteja relativamente amortecido diante da alta do petróleo por ser exportador líquido e pela participação de fontes renováveis na matriz elétrica, a instituição alertou para riscos de crescimento mais fraco em caso de agravamento das tensões geopolíticas e de condições financeiras mais apertadas.
Na avaliação do FMI, o sistema financeiro brasileiro segue resiliente, com bancos capitalizados e líquidos. Ainda assim, o organismo recomendou vigilância sobre o crédito às famílias e reforço da supervisão no Banco Central do Brasil (BCB), incluindo atenção à escassez de pessoal.
Para o setor agropecuário, o diagnóstico tem relação indireta, mas relevante. O comportamento das contas públicas influencia juros, câmbio, custo do crédito e preços de combustíveis, itens que afetam o financiamento da produção, o transporte e a competitividade das cadeias exportadoras. O FMI não detalhou, nesta declaração, estimativas numéricas sobre o efeito dessas recomendações sobre setores específicos da economia.
A avaliação do Fundo indica que a trajetória fiscal continuará no centro do monitoramento econômico nos próximos meses. Sem detalhamento adicional sobre medidas concretas ou prazos de implementação, o impacto sobre custos financeiros, energia e atividade produtiva dependerá da condução da política fiscal e da evolução do mercado internacional de petróleo.
Fonte: Estadão Conteúdo
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