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Fitch muda perspectiva para soberanos globais em 2026 para “em deterioração”

Dirigente do Fed admite juros mais restritivos se choque de energia persistir

A Fitch Ratings alterou nesta segunda-feira (8) a perspectiva para o setor soberano global em 2026 de “neutra” para “em deterioração”. Segundo a agência, a mudança reflete o contágio econômico da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, com expectativa de enfraquecimento do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), alta da inflação, avanço dos rendimentos dos títulos e aumento dos riscos geopolíticos.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (8), a Fitch afirmou que a resiliência recente da economia global e as atuais condições de financiamento ainda funcionam como fatores de contenção, mas não eliminam a piora do cenário. A avaliação aponta que os preços mais altos de energia já pressionam as perspectivas econômicas e inflacionárias nos mercados desenvolvidos.

A agência informou que a maioria dos soberanos da América Latina parece melhor posicionada diante do novo quadro, amparada por condições macroeconômicas iniciais mais favoráveis, instrumentos de política econômica e, em alguns casos, ganhos nos termos de troca. Na Ásia-Pacífico, a Fitch destacou que exportações ligadas à inteligência artificial sustentam parte do crescimento, mas ponderou que várias economias da região dependem de petróleo e gás importados pelo Estreito de Ormuz.

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A Grande China foi a única região com melhora de perspectiva, de “em deterioração” para “neutra”, apoiada por exportações robustas, sinais de fim da deflação, estoques de petróleo bruto, capacidade doméstica de refino e matriz energética mais diversificada. Já os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) seguem respaldados por balanços sólidos e rotas alternativas de exportação, embora a Fitch avalie que o efeito sobre o ambiente de segurança e de negócios tende a persistir.

Nos Estados Unidos, a agência projetou que o One Big Beautiful Bill Act reduzirá receitas fiscais e ampliará o déficit da administração pública para 7,9% do PIB neste ano. Para o agronegócio, o relatório não traz estimativas setoriais específicas, mas a combinação entre energia mais cara, inflação e financiamento mais custoso é um vetor acompanhado por cadeias dependentes de diesel, frete, fertilizantes e crédito.

A revisão da Fitch amplia o monitoramento sobre petróleo, inflação e juros globais nos próximos meses. Sem projeções específicas para o setor agropecuário no relatório, o efeito sobre custos de produção, logística e crédito rural dependerá da duração do conflito e do comportamento dos mercados de energia e de dívida soberana.

Fonte: Estadão Conteúdo

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