O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (9), em Brasília, que o Brasil está aberto a tratativas setoriais com os Estados Unidos na área comercial. Em entrevista ao UOL, ele mencionou os segmentos de etanol e açúcar, além de indústria aeronáutica, serviços, telecomunicações e tecnologia de nuvem. A declaração ocorre em meio à preocupação do governo federal com a possibilidade de uma nova rodada de tarifas norte-americanas sobre bens brasileiros.
Segundo Durigan, o debate entre os dois países pode avançar por setores específicos, desde que ocorra de forma institucional. “Esse debate setorial cabe, porque é um debate civilizado que se faz entre países que têm demandas pontuais em relação a outro. O que a gente deveria afastar é grandes ameaças ao Brasil como um todo”, declarou o ministro.
O ministro também informou que uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, deve ocorrer nos próximos dias. Devem participar do encontro, além de Durigan, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e outros integrantes do governo.
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No recorte de interesse do agro, a menção a etanol e açúcar coloca a pauta comercial sob acompanhamento das cadeias sucroenergética e exportadora. Esses setores dependem de previsibilidade regulatória, acesso a mercado e condições tarifárias para sustentar fluxo de vendas externas e competitividade frente a outros fornecedores internacionais.
Até o momento, o governo não detalhou quais produtos poderiam ser alcançados por eventuais medidas dos Estados Unidos, nem apresentou cronograma formal das negociações. Também não foram informados percentuais de tarifas, volumes de comércio potencialmente afetados ou setores agropecuários adicionais sob análise.
A preocupação do governo está ligada às investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país. Esse instrumento pode embasar medidas unilaterais, incluindo tarifas, caso o governo norte-americano entenda que há práticas comerciais consideradas inadequadas.
Sem definição oficial sobre escopo, prazo e alcance de eventuais tarifas, o cenário segue dependente do andamento das conversas bilaterais. Para o setor sucroenergético, a evolução das tratativas deve ser monitorada porque mudanças nas condições de acesso ao mercado norte-americano podem alterar o ambiente de exportação, mas ainda não há base pública suficiente para dimensionar esse efeito.
Fonte: Estadão Conteúdo
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