A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou nesta terça-feira (9) que a queda de 0,03% nos preços dos produtos agropecuários ajudou a desacelerar a inflação no atacado em maio, dentro do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). No mês, o IGP-DI passou de alta de 2,41% em abril para avanço de 0,87%. Já o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) saiu de 3,09% para 0,95% no mesmo intervalo.
Segundo a FGV, a perda de força do índice em maio esteve ligada ao comportamento da agropecuária no atacado. Em nota oficial, o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), afirmou que a desaceleração em relação a abril pode ser atribuída ao recuo de preços no setor, com reflexos sobre o IPA e também sobre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC).
Entre os principais alívios do atacado em maio, apareceram cana-de-açúcar, com queda de 8,56%, café em grão, com recuo de 7,69%, álcool etílico anidro, com baixa de 15,71%, milho em grão, com retração de 2,76%, e bovinos, com redução de 1,22%.
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Dias destacou que cana e milho também influenciaram o comportamento do álcool etílico anidro, já que são matérias-primas do etanol. O movimento mostra como a variação de commodities agrícolas e pecuárias pode se espalhar por outros segmentos do atacado, inclusive energia e biocombustíveis.
Na direção oposta, algumas mercadorias registraram pressão de alta no período. Os maiores avanços foram observados em leite in natura, com 9,08%, batata inglesa, com 81,42%, querosene de aviação, com 51,68%, óleos lubrificantes, com 24,59%, e feijão em grão, com 14,71%.
Para o setor agropecuário, os dados indicam um cenário heterogêneo entre cadeias produtivas. Enquanto parte dos produtos perdeu valor no atacado, outros itens seguiram em alta, o que exige acompanhamento dos custos, das margens e da formação de preços nas próximas divulgações.
Os números de maio mostram que a agropecuária teve papel relevante na moderação do IGP-DI, sobretudo pelo recuo de produtos com peso no atacado. Ainda assim, a composição do índice segue desigual entre cadeias, e a trajetória dos preços nos próximos meses dependerá da continuidade desse movimento, segundo os dados divulgados pela FGV.
Fonte: Estadão Conteúdo
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