Mais de 1,5 mil pessoas estão desaparecidas e 188 mortas por causa de dois terremotos que atingiram a Venezuela nessa quarta-feira (24), segundo balanço divulgado nesta quinta (25) por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana. As informações são da agência Reuters.
As autoridades estimam que pelo menos 346 estruturas tenham sido danificadas, entre edifícios, hospitais e centros comerciais. A região mais afetada é La Guaira, perto de Caracas, onde fica o aeroporto da capital.
Como os terremotos aconteceram durante um feriado nacional, muitos venezuelanos estavam em casa no momento do tremor, o que faz as autoridades acreditarem que o número de mortos ainda deve aumentar. Um site criado pela oposição para localizar desaparecidos já registra mais de 40 mil nomes.
A Cruz Vermelha informou que sua sede no país sofreu danos, mas ainda assim conseguiu enviar equipes de resgate às áreas mais atingidas. A embaixada da França também foi seriamente afetada. Por causa da tragédia, as aulas foram suspensas até o fim da semana. A bolsa de valores da cidade foi fechada e será utilizada para os esforços de resgate.
A Organização das Nações Unidas confirmou que cerca de 100 funcionários estavam em território venezuelano no momento do terremoto, mas que nenhum deles ficou ferido. O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que as equipes continuam “trabalhando a todo vapor” para conter o agravamento da crise humanitária no país.
União de líderes
A tragédia uniu líderes de diferentes posições políticas em torno de mensagens de solidariedade, em contraste com a polarização que marcou as relações internacionais com a Venezuela nos últimos anos. O Papa Leão XIV destinou 100 mil euros, cerca de R$ 600 mil, para ações de ajuda às vítimas, recurso doado por meio do escritório de caridade do Vaticano.
A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, disse que equipes de resgate de outros países devem chegar em breve e agradeceu o apoio internacional, incluindo o dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. Trump declarou que o governo americano está pronto para ajudar, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, informou que equipes de resgate já estão sendo mobilizadas e que o Pentágono vai enviar recursos ao aeroporto de Caracas, que ficou seriamente danificado.
Brasil
O Ministério da Saúde do Brasil afirmou que está em contato com autoridades venezuelanas para o envio de insumos e profissionais de saúde. Pelas redes sociais, ministro Alexandre Padilha disse que acionou a Organização Pan-Americana da Saúde para apoiar as ações humanitárias.
Em uma cerimônia de entrega de títulos da reforma agrária em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, o presidente Lula disse que se reuniu com vários ministros do governo brasileiro e que conversou por telefone com a presidente da Venezuela para oferecer todo tipo de ajuda.
“Nós fizemos uma reunião com vários ministros agora. Eu falei com a presidenta Delcy, da Venezuela, de manhã para perguntar para ela o que ela precisava que a gente fizesse, para a gente mandar tudo o que for necessário mandar: água, bombeiros, defesa civil, comida, remédio. E todos nós temos que fazer todo o esforço possível para ajudar a Venezuela a sair dessa confusão do terremoto.”
A missão de direitos humanos da ONU na Venezuela pediu ao governo que suspenda as restrições às redes sociais no país, classificando a medida como uma questão de vida ou morte diante da instabilidade nos serviços de telefonia. Comunidades de venezuelanos no exterior têm organizado campanhas de arrecadação, enquanto famílias tentam, sem sucesso, contato com parentes nas áreas mais isoladas.
Placas tectônicas
A Venezuela está localizada na fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul e já registrou terremotos devastadores no passado, incluindo um em 1812, que matou cerca de 30 mil pessoas.
Em Morón, uma das cidades mais atingidas, as autoridades atualizam o número de vítimas e seguem encaminhando feridos a hospitais da região. Próximo ao epicentro, o Complexo Petroquímico de Morón, o segundo maior do país em operação, retomou as atividades nesta quinta-feira, após uma paralisação preventiva motivada por danos à infraestrutura.
O chefe local do Corpo de Bombeiros informou que novas avaliações serão feitas ao longo da semana, à medida que os reparos avançam. Inicialmente, os trabalhadores da unidade foram orientados a não comparecer ao local enquanto durava a inspeção, depois que um possível vazamento em um tanque de armazenamento foi identificado na quarta-feira.
As estatais Pequiven e PDVSA não se manifestaram sobre a situação de suas operações. Outras infraestruturas petrolíferas não foram afetadas, aparentemente. As companhias Chevron, Shell, Eni e Repsol confirmaram que todos os seus funcionários foram localizados.
*Com informações da Reuters e da Agência Brasil












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