Principal destino comercial do agronegócio paulista, a China tem uma participação de 24% nas exportações, em geral. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), em 2025, foram mais de US$6,8 bilhões nas transações financeiras, com um crescimento no valor que chega a 16,7%em comparativo ao ano anterior.
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Na balança comercial, o mercado chinês ficou à frente de países da União Europeia (US$4,1 bilhões); os Estados Unidos (US$3,5 bilhões) e a Índia (US$904,4 milhões). Para o secretário da SAA, Geraldo Melo Filho, o país asiático lidera o ranking dos que mais importam os produtos agrícolas de São Paulo, porém, o setor vem diversificando cada vez mais os acordos bilaterais.
“Os dados reforçam não apenas o peso da China como parceira comercial, mas também a forte inserção do agro paulista no mercado internacional. O desafio agora é continuar abrindo novos mercados para consolidar relações comerciais e ampliar ainda mais a presença do agro paulista no cenário global”, destacou.
Principais produtos exportados
Dos produtos agrícolas de São Paulo enviados ao mercado chinês, o mais rentável, em 2025, ficou com o setor de carne (US$2 bilhões), com um aumento financeiro de 24,6%. Enquanto, os complexos de soja (US$1,6 bilhão), e sucroalcooleiro (US$1,2 bilhão), segundo e terceiro colocados, tiveram uma elevação, no período, de 12% e 24%, respectivamente.
“Os quatro principais produtos da nossa pauta de exportação, a China lidera o setor sucroalcooleiro, 18%, o setor de carnes, 29,8%, o complexo soja, 22,8% e nos produtos florestais 17%, ou seja, é um parceiro muito estratégico para o agro paulista”, reforçou o diretor da Diretoria de Pesquisa do Agronegócios (APTA) da SAA, Carlos Nabil.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destaca o resultado positivo, perante as adversidades enfrentadas pela cadeia produtiva.
“Mesmo com um cenário mais desafiador, marcado por questões geopolíticas e pela menor produção de carne em vários países. a carne bovina brasileira, hoje, chega a 177 países, o que ajuda a sustentar o ritmo dos embarques e a presença do produto nos principais mercados”, afirmou.
Enquanto, o pesquisador do IEA, Celso Vegro, reforça principalmente a entrada de café no mercado chinês (5,6 mil toneladas).
“Apesar de ser uma nação consumidora de chá, as exportações da bebida brasileira já colocaram a China, em 2025, entre os 10 maiores clientes do produto. Em breve, o país se consolidará como um dos principais clientes nos próximos anos, devido ao aumento do consumo per capita que saiu de 4 a 5 xícaras em 2020 para 16 a 22 xícaras em 2025”, explicou.
Crescimento do café paulista no mercado
Segundo o analista de mercado de café da StoneX, Fernando Maximiliano, um dos principais motivos do crescimento do café paulista no mercado chinês, deve-se à expansão acelerada da cafeteria chinesa Luckin Coffee.
Fundada em Pequim, em 2017, a empresa cresceu expressivamente no último ano, ao saltar de 8 mil lojas no início de 2023, para 20 mil, atualmente, em toda a China.
De acordo com o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, os exportadores brasileiros conseguiram aproveitar esta oportunidade de negócio. “Hoje, 50% de todo o café que a Luckin Coffee compra é só do Brasil. O resto é dividido com outros países”, conta.
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