Em um cenário global cada vez mais pressionado por práticas sustentáveis, os bioinsumos avançam como alternativa estratégica para aliar produtividade e responsabilidade ambiental. O Brasil já desponta como uma das principais potências nesse mercado, impulsionando modelos agrícolas mais eficientes e regenerativos.
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O mercado global de bioinsumos já movimenta cerca de 15 bilhões de dólares, sustentado por uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis e pela redução no uso de químicos na produção.
“Hoje existe um apelo da sociedade por alimentos mais saudáveis e práticas agrícolas que são mais sustentáveis. Então, o bioinsumo é uma alternativa sustentável para a produção de alimentos”, destaca a diretora de operações da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Orgânicos (ANPII Bio), Larissa Bonotto.
Quais fatores explicam o crescimento?
A maior conscientização dos consumidores, intensificada após a pandemia, também tem ampliado a busca por rastreabilidade e práticas mais sustentáveis no campo.
Nesse cenário, o Brasil ocupa posição de destaque e já figura entre os três maiores mercados globais. Um dos principais diferenciais é o uso em larga escala, especialmente em culturas como soja e milho.
“O bioinsumo em outros locais do mundo, ele tende a ser utilizado em culturas de menor escala, então é utilizado em tomate, frutas e verduras. Então, por isso que o Brasil acaba tendo esse número tão grande e expressivo”, explica Larissa Bonotto.
Novas oportunidades
Segundo Larissa Bonotto, o uso vem se expandindo para outras culturas, como cana-de-açúcar, citros, trigo e sorgo. A expectativa é de crescimento acelerado, com projeção de aumento de 66% na área tratada com bioinsumos até 2030.

Além de elevar a produtividade, os bioinsumos também avançam em diferentes frentes tecnológicas. De acordo com Larissa Bonotto, produtos como inoculantes já são considerados essenciais em sistemas de alta produtividade como a soja, enquanto soluções de controle biológico têm ganhado espaço rapidamente no mercado.
“Está aumentando muito a utilização do bioinsumo como controle biológico. Por exemplo, bionematicidas representam 30% desse mercado, mas está crescendo também muito biofungicida e bioinseticida. Tem vários trabalhos com bioherbicida que ainda não estão sendo utilizados, mas já tem trabalhos para termos bioherbicidas”, destaca.
Regulamentação
Mesmo antes de uma regulamentação mais ampla, o Brasil já conta com mais de 1.500 bioinsumos registrados. Para Larissa Bonotto, o ambiente regulatório atual é considerado positivo e reflete a maturidade da pesquisa nacional em biotecnologia, que já se desenvolve há décadas e agora ganha escala comercial.
Desafios
Apesar do cenário promissor, o setor enfrenta desafios importantes, o principal deles é o acesso ao crédito. Com juros elevados e preços mais baixos das commodities agrícolas, produtores, distribuidores e indústrias sentem pressão financeira, o que pode limitar o ritmo de expansão.
“Estamos tendo um cenário aonde as commodities agrícolas elas estão com preço menor. Então eu tenho um produto que teoricamente produz um lucro líquido menor com uma taxa de financiamento maior. A conta não fecha”, explica Larissa Bonotto.
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