O fim de ano é sinônimo de movimento intenso na Ceagesp, o maior entreposto da América Latina. O aumento nas vendas de frutas típicas do período reforça a expectativa de um fechamento positivo para o setor. Nesta época, cerca de 70 mil pessoas circulam diariamente por lá.
A Ceagesp tem papel estratégico no abastecimento da Grande São Paulo e de outras regiões do país. Além disso, representa o elo entre a produção rural e o consumidor final. “Esse entreposto é extremamente importante economicamente e também na questão de segurança alimentar”, destaca Thiago de Oliveira, chefe da seção de economia da companhia.
Segundo ele, o volume mensal comercializado gira em torno de 230 mil toneladas. “Quando a gente divide esse montante pelo consumo diário indicado pelo IBGE, temos capacidade para abastecer cerca de um quarto da população brasileira com frutas e hortaliças”, explica.
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Vendas em alta no fim de ano
A expectativa é de crescimento de até 30% nas vendas de frutas neste fim de ano. O aumento representa cerca de 9 mil toneladas a mais em relação às semanas anteriores. Uva, pêssego, ameixa, cereja e lichia lideram a procura. Já as frutas de caroço foram beneficiadas pelas condições climáticas ao longo do ano.
“O inverno teve horas de frio adequadas e o início do verão não registrou tanta ocorrência de granizo, o que atrapalha a qualidade”, afirma Oliveira. Segundo ele, esse cenário favoreceu o desenvolvimento das culturas. “As frutas de caroço, com destaque para a ameixa e o pêssego, estão com bom calibre, boa coloração e qualidade muito boa.”
Clima impacta algumas culturas
Nem todas as frutas tiveram o mesmo desempenho. A pitaya foi uma das culturas afetadas pelas oscilações climáticas ao longo do ano.
“O clima ficou muito irregular. Teve frio quando não era para ter, calor quando não era para ter, e até extremos”, relata o produtor rural e empresário Airton Bueno, que comercializa frutas exóticas na Ceagesp e produz na região de Bauru.
Segundo ele, as alterações confundem o ciclo da planta. “A gente acaba antecipando ou atrasando a safra. No meu caso, atrasou”, diz. “Estamos acostumados a colher pitaya no fim de outubro ou começo de novembro.”
Neste ano, a primeira colheita ocorreu apenas na segunda semana de dezembro. “Com isso, pode ser que a gente seja prejudicado até nas floradas, perdendo produtividade”, afirma.
Importação e destaque para a cereja chilena
Além da produção nacional, a Ceagesp recebe frutas de mais de 20 países. Entre as importadas, a cereja chilena se destaca como a mais procurada em dezembro.
“A fruta da vez agora é a cereja chilena, a queridinha de dezembro”, afirma Felipe Silva, gestor comercial. Segundo ele, a oferta chegou mais cedo neste ano. “Os preços estão rodando entre 30% e 40% mais baixos que no ano passado.”
Faturamento e combate ao desperdício
Em 2024, a Ceagesp movimentou aproximadamente R$ 15,5 bilhões. A expectativa é repetir o resultado em 2025.
Além do desempenho financeiro, a companhia mantém ações voltadas à redução do desperdício. “Existe uma ação chamada Banco Ceagesp de Alimentos”, explica o chefe da seção de economia da companhia. “Mercadorias sem valor comercial, mas com excelente valor nutricional, são enviadas ao banco.”
Após a triagem, os alimentos são destinados a cerca de 250 instituições cadastradas. “O que não é aproveitado segue para transbordo”, diz. Parte dos resíduos é utilizada na produção de substratos e na geração de bioenergia, em parceria com a Universidade de São Paulo. O restante é encaminhado a aterros certificados.
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