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Lobista preso por venda de sentenças acumula dívidas de R$ 2,3 milhões

Alvo de ações judiciais em Mato Grosso e preso em Brasília, Andreson Gonçalves é acusado de atuar como intermediador na venda de decisões judiciais no TJMT e no STJ. Caso da Fazenda Vitória do Araguaia, em Porto Alegre do Norte (MT), é um exemplo

O empresário e lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, pivô de um dos maiores escândalos judiciais do país – a Operação Sisamnes – acumula novas dores de cabeça fora do campo criminal.

A Cooperativa de Crédito Sicredi Ouro Verde MT ingressou com quatro ações judiciais para cobrar uma dívida que ultrapassa R$ 2,3 milhões, valor referente a contratos bancários inadimplidos pelo investigado.

Preso preventivamente desde novembro de 2024 em um presídio federal em Brasília (DF), Andreson é acusado de atuar como intermediador na venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Suspeita esta que impacta diretamente na situação da Fazenda Vitória do Araguaia, em Porto Alegre do Norte (MT). A propriedade é alvo de grilagem e de uma ação de reintegração de posse que coloca a justiça em xeque e vem causando inúmeros transtornos aos seus proprietários históricos, com agravantes de degradação ambiental e diversos outros impactos. Até mesmo cultural e de imagem.

Anderson Gonçalves também teria exercido influência direta em julgamentos e repassado informações sigilosas a advogados e empresários, como o falecido advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023. Esse episódio revelou a extensão da trama criminosa após a análise do celular da vítima.

Dívidas milionárias e processos bancários

As cobranças do Sicredi envolvem operações de crédito — entre elas, Cédulas de Crédito Bancário (CCB) e limites de cheque especial — não quitadas por Andreson, sua esposa Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves e a empresa Biodiesel Pantanal Indústria e Comércio Ltda – ME, da qual o lobista é sócio.

Os principais valores

  • R$ 103,6 mil – Cartão de crédito empresarial;
  • R$ 108 mil – Limite de cheque especial;
  • R$ 465,4 mil – Execução de CCB como avalista;
  • R$ 1,64 milhão – Segunda execução de CCB também com garantia pessoal.

As ações tramitam nas comarcas de Cuiabá e Poconé, sendo que parte dos contratos também lista a empresa como corresponsável solidária. O bloqueio judicial de bens e contas no valor de R$ 10 milhões, determinado no âmbito da Operação Sisamnes, dificulta o recebimento das dívidas pela cooperativa.

A face oculta do escândalo: poder, influência e corrupção sistêmica

Andreson Gonçalves é descrito pela Polícia Federal como peça central do esquema que derrubou desembargadores e servidores no TJMT, afastados após a comprovação de interferência em julgamentos envolvendo grilagem de terras, fraudes bancárias e disputas fundiárias milionárias, como no caso da Fazenda Vitória do Araguaia, em Porto Alegre do Norte (MT).

As investigações ligam Andreson a um “sistema Faroeste” de corrupção judiciária, similar ao desvendado na Bahia pela Operação Faroeste, revelando um modelo estruturado de venda de decisões, tráfico de influência e subversão de garantias processuais, atingindo inclusive gabinetes no Superior Tribunal de Justiça.

Informações de bastidores indicam que o lobista pode fazer um acordo de delação premiada, com potencial para atingir figuras políticas, magistrados e empresários de peso no centro-oeste brasileiro.

O que vem por aí?

Com a delação premiada de um juiz mato-grossense já homologada pelo ministro Cristiano Zanin (STF), a expectativa é de uma nova fase da Operação Sisamnes – a décima – com foco em sete magistrados e ao menos dez advogados. Fontes ouvidas pela reportagem garantem que Andreson será peça-chave nesse próximo desdobramento.

Enquanto isso, além dos processos criminais e do risco de novas denúncias, Andreson enfrenta agora a pressão crescente dos credores bancários – um sinal de que o império construído à sombra do Judiciário pode estar desmoronando.

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