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Nova espécie de libélula é identificada em unidade de conservação

Libélula

Foto: Tomas Dias Oliveira/divulgação IEF

Uma pesquisa científica realizada em Minas Gerais resultou na identificação de uma nova espécie de libélula no Brasil, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade do estado e reforçando a importância das unidades de conservação para a ciência.

A descoberta ocorreu no Parque Estadual do Pico do Itambé, localizado na região do Vale do Jequitinhonha, entre os municípios de Diamantina e Serro, em uma área marcada por campos rupestres, cursos d’água e fragmentos de Mata Atlântica.

A nova espécie, batizada de Hetaerina giselaepertence ao grupo das chamadas donzelinhas, insetos aquáticos intimamente associados a ambientes de água limpa e bem preservados.

Os exemplares foram coletados em riachos, cachoeiras e áreas de vegetação marginal dentro do parque estadual, ambiente considerado estratégico para pesquisas científicas devido à sua alta diversidade biológica e ao grau de conservação.

A descrição da espécie foi publicada em revista científico internacional especializada e inclui informações detalhadas sobre indivíduos adultos e sobre a fase larval, o que fortalece o reconhecimento científico do achado.

Diferenças sutis

Segundo os pesquisadores, embora as libélulas sejam um grupo relativamente bem estudado, novas espécies continuam sendo descobertas, especialmente em áreas naturais protegidas. No caso da Hetaerina giselaeas análises indicaram características morfológicas próprias que a diferenciam de espécies próximas já conhecidas, inclusive dentro do mesmo gênero.

A descoberta começou no campo, durante atividades de coleta realizadas dentro do Parque Estadual do Pico do Itambé. Ao analisar os exemplares coletados, os pesquisadores perceberam diferenças sutis em relação a outras espécies já registradas na região, o que levantou à suspeita de que se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência.

No caso das libélulas, a genitália do macho desempenha um papel fundamental na identificação das espécies, por apresentar variações muito específicas que funcionam como um dos principais critérios para diferenciar espécies próximas entre si.

De acordo com o pesquisador Marcos Magalhães de Souza, a observação dessas estruturas foi decisiva para a confirmação do achado. “Foi possível identificar a diferenciação da genitália, o que permitiu confirmar que se tratava de uma espécie distinta das já conhecidas”, explicou o pesquisador.

Análise genética

Para confirmar a hipótese, o material passou por análises genéticas. Os exames de DNA corroboraram as diferenças morfológicas observadas, confirmando que aquelas características correspondiam, de fato, a uma nova espécie.

A inclusão da fase larval no estudo também contribuiu para ampliar o conhecimento sobre o ciclo de vida do inseto e reduzir incertezas na identificação.

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