A Sociedade Rural Brasileira (SRB) avaliou como positiva a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para este sábado (20), no Paraguai. Para a entidade, embora o pacto não traga ganhos expressivos imediatos ao agronegócio brasileiro, ele reforça alianças internacionais e amplia a inserção do bloco sul-americano no comércio global.
“O acordo está maduro e com suas negociações esgotadas, após mais de 25 anos de tratativas entre os blocos”, afirmou o presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo.
Segundo a entidade, a União Europeia reconhece a competitividade do Brasil no fornecimento de commodities agrícolas, mas também sabe que o País não concorre de forma relevante com os europeus em produtos agroindustriais de maior valor agregado, o que reduz o potencial de conflitos diretos.
Europa não é o foco principal do agro brasileiro
Para Bortolozzo, o impacto comercial do acordo tende a ser moderado para o produtor brasileiro, já que os principais mercados do agro hoje estão em Ásia, Oceania, África e Oriente Médio.
“Vai ser bom, mesmo que a gente não tenha um interesse comercial tão grande com relação à Europa, porque o foco principal do agro brasileiro hoje é a Ásia, a Oceania, a África e o Oriente Médio”, disse.
Mesmo assim, a SRB avalia que o acordo tem importância estratégica, ao inserir o Mercosul em um ambiente mais amplo de integração internacional e destravar oportunidades no longo prazo.
Tarifas menores, mas com travas
A entidade reconhece que alguns setores do agro, especialmente aqueles que já vendem para a Europa ou têm potencial de crescimento, devem se beneficiar da redução gradual de tarifas. No entanto, alerta para a existência de cotas restritas e mecanismos de salvaguarda.
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Esses instrumentos permitem que a União Europeia limite importações caso os volumes superem determinados patamares, o que pode reduzir o potencial de expansão das exportações brasileiras ao bloco.
Pressão de agricultores europeus pesou nas negociações
Segundo a SRB, o debate nos últimos meses foi marcado por pressões internas na Europa, principalmente de agricultores europeus e pelo avanço de políticas protecionistas. Isso levou à inclusão de travamentos comerciais no texto final do acordo.
Mesmo assim, a entidade considera que o entendimento fortalece o posicionamento geopolítico do Brasil em um cenário global de tensões comerciais e rearranjos de alianças.
“A assinatura amplia a previsibilidade das regras e pode gerar ganhos para o Brasil no médio e longo prazo”, afirma a SRB.
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