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Tarifaço faz exportações brasileiras para os EUA despencarem em 2025

Contêineres em um porto para ilustrar que exportações na Bahia tiveram queda em julho

Foto: Pexels

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 37,7 bilhões em 2025, uma queda de 6,6% em relação a 2024 e o pior desempenho dos últimos cinco anos. O recuo interrompe a trajetória de crescimento registrada desde a retomada pós-pandemia, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil.

Com o resultado, a participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira caiu de 12% para 10,8%, o menor nível desde 2020. O desempenho contrasta com o avanço das vendas do Brasil para outros grandes parceiros, como China, União Europeia e Mercosul.

Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a queda está diretamente ligada ao ambiente comercial.

“A retração interrompe uma trajetória saudável no comércio bilateral. Para retomar o crescimento, especialmente nos bens industriais, será fundamental avançar na redução ou eliminação das sobretaxas hoje em vigor”, afirmou.

Tarifas e petróleo puxam a queda

A Amcham aponta dois fatores principais para o recuo das exportações brasileiras aos EUA em 2025.

O primeiro foi o impacto das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. As exportações de itens sujeitos a tarifas de 40% ou 50% caíram 9,5%, o equivalente a US$ 1,5 bilhão. Já os produtos atingidos pelas medidas da Seção 232, como aço e alumínio, recuaram 4,1% (-US$ 353 milhões).

Entre agosto e dezembro, período em que as tarifas mais elevadas entraram em vigor, as exportações dos produtos tarifados despencaram 21,6%, de US$ 11,2 bilhões para US$ 8,8 bilhões.

O segundo fator foi a queda de US$ 1,2 bilhão nas exportações de petróleo bruto e combustíveis, provocada pelo aumento da produção interna dos Estados Unidos, e não por barreiras comerciais.

Também registraram retração:

  • Celulose (-US$ 352,8 milhões)
  • Semimanufaturados de ferro e aço (-US$ 179,8 milhões)
  • Madeira (-US$ 127,8 milhões)
  • Motores de pistão (-US$ 93,8 milhões)
  • Minério de ferro (-US$ 89,1 milhões)
  • Equipamentos de engenharia civil (-US$ 85,6 milhões)

Indústria sente o impacto

A indústria de transformação, que responde por mais de 80% das exportações brasileiras aos EUA, teve em 2025 sua primeira queda desde 2020. As vendas recuaram 4,2%, somando US$ 30,2 bilhões.

Mesmo assim, os Estados Unidos seguiram como o principal destino dos produtos industriais brasileiros, com 16% do total exportado, à frente da União Europeia (US$ 23,6 bilhões) e do Mercosul (US$ 23,5 bilhões).

Importações sobem e déficit dispara

Enquanto as exportações caíram, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram 11,3% em 2025, alcançando US$ 45,2 bilhões, o segundo maior valor da série histórica. O avanço foi puxado por motores, máquinas, óleos combustíveis, aeronaves e medicamentos.

Com isso, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões na relação com os EUA em 2025. Em 2024, o saldo negativo havia sido de apenas US$ 300 milhões, o que representa uma alta de mais de 2.500%. O déficit com os americanos foi o terceiro maior do país, atrás apenas de Rússia e Alemanha.

2026 pode destravar o comércio

A Amcham avalia que 2026 será decisivo para a retomada do comércio bilateral. Atualmente, cerca de um terço das exportações brasileiras aos EUA está sujeito a sobretaxas de 40% ou 50%, o que limita a competitividade do produto brasileiro.

Segundo a entidade, avançar nas negociações para reduzir ou eliminar essas tarifas será fundamental para recuperar o crescimento das exportações, especialmente no setor industrial.

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