quinta-feira , 29 janeiro 2026
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Trump fala em corte de juros em Davos e dólar reage

Trump fala em corte de juros em Davos e dólar reage

Foto: Fórum Econômico Mundial/Benedikt von Loebell

A fala do presidente Donald Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi além da retórica política: tratou-se de um sinal econômico claro. Ao declarar que pretende nomear diretores do Federal Reserve favoráveis à redução imediata dos juros, Trump movimentou os mercados antes mesmo de qualquer decisão oficial.

A troca de comando no Fed está prevista para maio, e uma antecipação é improvável. Porém, em economia, a expectativa vale tanto quanto fato. Quando o presidente dos EUA sinaliza interferência na política monetária, os investidores não esperam: eles se posicionam.

O que o mercado entendeu

Corte de juros nos EUA reduz a atratividade relativa dos ativos americanos. Capitais globais passam a buscar rendimento em países com taxas ainda elevadas. O Brasil, com uma das maiores taxas de juros do mundo, entra no radar.

O reflexo foi imediato no câmbio: as posições no mercado futuro mudaram, e o real se valorizou frente ao dólar. Não se trata de melhora estrutural da economia brasileira, mas de reposicionamento global provocado por Washington.

Real forte: risco para o exportador

Esse é o ponto crítico para o produtor rural. Um real valorizado diminui a receita em reais das exportações e comprime margens num setor que já enfrenta crédito caro, custos altos e gargalos logísticos. Para o agro brasileiro, o câmbio muitas vezes é o último amortecedor da rentabilidade.

Exportar com real forte significa vender maior volume para receber menos em reais – justamente quando os custos de produção permanecem elevados e a margem de erro é pequena.

Um alerta que precisa ser considerado

A promessa de Trump de um Fed alinhado a cortes rápidos de juros não é neutra para o Brasil. Ela altera os fluxos de capital, pressiona o dólar e impacta diretamente a balança comercial. Para quem depende do mercado externo, o momento exige atenção redobrada ao planejamento financeiro, cautela nas vendas futuras e avaliação de instrumentos de proteção cambial.

Trump falou em Davos, mas o efeito já chegou ao câmbio. E, como quase sempre, o impacto final se sente no campo, longe dos palcos e discursos, mas bem perto do resultado da próxima safra.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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