sexta-feira , 30 janeiro 2026
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Empresários apontam relação com os EUA como prioridade do próximo presidente do Brasil

Empresários apontam relação com os EUA como prioridade do próximo presidente do Brasil

Imagem gerado por IA para o Canal Rural

A relação com os Estados Unidos desponta como a principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, segundo líderes empresariais ouvidos pela Pesquisa Amcham, divulgada nesta sexta-feira (30)

O levantamento reúne a percepção do empresariado sobre as eleições presidenciais de 2026, o ambiente de negócios e as agendas estratégicas que devem orientar o próximo ciclo de governo, com destaque para política externa, comércio e investimentos.

No plano doméstico, os empresários apontam como principais prioridades para o próximo presidente da República o equilíbrio fiscal (83%), o combate à corrupção (43%), a segurança pública (40%) e a redução das taxas de juros (37%).

O cenário eleitoral é avaliado com cautela. Para 39% dos empresários, o ambiente é neutro. Outros 31% se dizem pessimistas e 16% otimistas em relação às eleições de 2026. Além disso, 9% se declaram muito pessimistas, 2% muito otimistas e 3% não souberam avaliar.

Segundo a Amcham, os dados refletem a combinação de incerteza política, preocupações com governabilidade e expectativas quanto à condução da agenda econômica no próximo mandato.

Relação Brasil–Estados Unidos lidera agenda externa

Quando questionados sobre as prioridades da política externa e comercial do próximo governo, os empresários indicam a relação com os Estados Unidos como o principal eixo estratégico.

As prioridades mais citadas foram:

  • Relação com os Estados Unidos (53%)
  • Atração de investimentos estrangeiros (46%)
  • Novos acordos de comércio (44%)
  • Acesso a mercados e redução de barreiras às exportações (35%)

“O empresariado associa cada vez mais a agenda externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos aparece como prioridade por envolver a maior economia do mundo, a principal origem de investimentos estrangeiros no Brasil e um alto potencial em áreas como tecnologia, serviços e energia”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apesar da relevância estratégica, 44% dos empresários avaliam a relação bilateral como desafiadora. Outros 38% consideram o cenário neutro, enquanto 14% veem o ambiente como favorável.

Tarifas são principal obstáculo ao comércio bilateral

As tarifas seguem sendo apontadas como o principal entrave para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos, citadas por 70% dos empresários. Segundo a Amcham, o fator reduz a competitividade dos produtos brasileiros e reforça a necessidade de avanços em entendimentos bilaterais.

Outros obstáculos citados foram:

Taxa de câmbio (33%)

  • Barreiras não tarifárias (29%)
  • Escala e competitividade das empresas (25%)
  • Concorrência local (22%)
  • Conhecimento do mercado americano (20%)
  • Prioridades na agenda de negociação com os EUA

A pesquisa também identificou os temas que, na visão do setor privado, devem ser priorizados nas negociações com os Estados Unidos:

Redução de barreiras comerciais (58%)

  • Redução de tarifas e ampliação do acesso a mercados (55%)
  • Combate ao crime organizado transnacional (42%)
  • Parcerias em investimentos (42%)
  • Minerais críticos e terras raras (36%)
  • Acordo para evitar a dupla tributação (35%)

“Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar do governo americano”, destaca Abrão Neto.

Empresariado projeta crescimento em 2026

A Pesquisa Amcham mostra que 84% das empresas projetam aumento de faturamento em 2026. Desse total, 45% estimam crescimento superior a 11%. Menos de 3% das empresas preveem retração de receitas.

Segundo os empresários, o crescimento deve ser impulsionado principalmente pelo aumento das vendas no mercado interno (65%), pela redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e por investimentos em transformação digital e inteligência artificial (38%).

Para o período de 2027 a 2030, as expectativas estão mais equilibradas: 35% acreditam em melhora do ambiente econômico, 26% projetam estabilidade e 25% esperam piora. Outros 14% não souberam avaliar.

“O empresariado segue comprometido com o crescimento e com os investimentos no país. O desempenho de 2026 estará diretamente ligado à capacidade de execução das empresas, aos ganhos de produtividade, ao uso de tecnologia e à previsibilidade econômica”, conclui Abrão Neto.

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