O cenário político global acompanhou com atenção o encontro desta quinta-feira (7) entre o presidente Lula e o presidente Donald Trump, na Casa Branca. O que se viu foi uma reunião de peso, um encontro “Pedrão”, como se diz no bastidor político, realizada a portas fechadas, onde o protocolo deu lugar a uma conversa direta sobre os temas que realmente tensionam a relação entre as duas maiores economias das Américas.
O saldo principal não foi apenas um aperto de mãos, mas a vitória do pragmatismo e da defesa dos recursos naturais brasileiros.
O impasse das tarifas: Brasil e EUA definem prazo de 30 dias para evitar guerra comercial
O ponto mais sensível da pauta foi a questão comercial, especificamente a polêmica Seção 301. Para quem não está familiarizado com o termo, essa é uma legislação americana que permite investigar e aplicar tarifas pesadas contra países suspeitos de práticas comerciais desleais.
Havia um impasse nítido: Trump alega que o Brasil cobra taxas excessivas dos produtos americanos, enquanto o governo brasileiro sustenta que seus impostos estão dentro da média internacional.
Em vez de uma guerra tarifária imediata, o bom senso prevaleceu. Os presidentes estabeleceram um prazo de 30 dias para que seus ministros discutam os dados técnicos e cheguem a um consenso.
Na prática, o Brasil ganhou um tempo precioso para provar que joga limpo e evitar prejuízos bilionários às nossas exportações.
Mas o grande trunfo estratégico do Brasil na mesa de negociações foi o setor de minerais críticos e terras raras. Lula foi enfático ao apresentar o novo marco legal do setor, aprovado pelo Congresso na véspera da visita.
Ele deixou claro que o Brasil não aceitará ser um mero exportador de matéria-prima bruta. “Terras Raras: Brasil abre mercado para investimentos, mas exige industrialização em solo nacional.”
O mercado brasileiro está aberto para investimentos dos EUA
O Brasil quer parcerias para processar e industrializar esses minerais em solo nacional, e está disposto a negociar com americanos, chineses, europeus ou qualquer país que aceite o modelo de transferência de tecnologia e soberania. É o fim da era em que o Brasil apenas “mandava o ouro embora”.
Curiosamente, temas que geram barulho nas redes sociais, como o sistema PIX ou a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, ficaram em segundo plano.
Lula confirmou que esses assuntos não avançaram simplesmente porque não foram o foco do interesse mútuo naquele momento. O foco real foi o “chão de fábrica” da diplomacia: economia e estabilidade.
Soberania em pauta: Lula pede respeito ao processo eleitoral brasileiro
No campo político, Lula ainda reforçou um pedido de não interferência nas eleições brasileiras, reafirmando que a democracia do país deve ser decidida soberanamente pelo seu povo, sem influências externas.
Ao final, a reunião mostrou que a relação entre Brasil e Estados Unidos é maior que os ocupantes momentâneos do poder. Lula e Trump demonstraram que, mesmo com visões de mundo opostas, é possível sentar à mesa e negociar prazos que evitem crises.
O Brasil sai de Washington com o dever de casa de resolver o nó das tarifas em um mês, mas com a imagem de um país que conhece o valor de suas riquezas naturais e que não abre mão de ser o dono do seu próprio destino econômico.
Para finalizar: Um detalhe curioso dos bastidores foi o pedido bem-humorado de Lula para que Donald Trump “saísse rindo nas fotos”. O pedido parece ter surtido efeito: nos registros oficiais após a conversa, o semblante carregado do americano deu lugar a sorrisos ao lado do presidente brasileiro, selando o clima de “química” política que marcou o dia.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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