O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o problema do Banco Master não estava no passivo da instituição, mas na destinação dos recursos captados com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo ele, o BC e o próprio fundo passaram a adotar mudanças para evitar a replicação desse modelo por outras instituições.
Durante a audiência, Galípolo disse que uma das medidas foi elevar a contribuição de instituições que concentram parcela maior do passivo coberta pelo FGC. Ele também apontou a criação de um índice de liquidez como uma alteração mais restritiva nas regras. Pela explicação do presidente do BC, os ativos usados como colateral desse passivo precisam ser compatíveis com a operação de um banco de varejo.
Ao detalhar o novo critério, Galípolo citou crédito imobiliário, crédito agro e títulos com liquidez como exemplos de ativos elegíveis. Segundo ele, a regra busca impedir que recursos captados com proteção do FGC sejam direcionados para ativos sem o mesmo perfil de liquidez, como estruturas associadas a fundos estressados.
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Para o público do agronegócio, a menção ao crédito agro indica que esse tipo de operação permanece dentro do conjunto de ativos considerados compatíveis com a exigência regulatória aplicada a bancos de varejo. O presidente do BC, no entanto, não apresentou, na audiência, recorte específico sobre efeitos das mudanças no volume de financiamento ao setor rural.
Galípolo afirmou ainda que o Banco Central liquidou 13 instituições desde 2025. No caso do Master, declarou que, após a negativa para a compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB), houve proposta de uma saída organizada do mercado. Ele também informou que dois ex-servidores do BC foram afastados após auditoria e sindicância, com envio dos casos à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Polícia Federal.
Segundo o presidente do BC, em 2025 a captação líquida do Master foi negativa em R$ 11,5 bilhões, houve captação líquida negativa de US$ 9 bilhões em instrumentos com garantia do FGC e um aporte de R$ 2,5 bilhões.
A sinalização do Banco Central é de reforço na governança e nos critérios de liquidez para depósitos cobertos pelo FGC. Até o momento, as declarações públicas não detalham impacto quantitativo sobre o crédito agro, mas indicam que operações desse segmento seguem reconhecidas como ativos compatíveis dentro da regulação mencionada pela autoridade monetária.
Fonte: Estadão Conteúdo
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