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Ibovespa cai 0,81% e fecha a semana no vermelho com foco em juros, dólar e eleição

Juros abrem pressionados com alta do petróleo e avanço dos rendimentos globais

O Ibovespa fechou esta sexta-feira (22) em queda de 0,81%, aos 176.209,61 pontos, após oscilar entre 174.893,37 e 177.648,58 pontos ao longo da sessão. Com o resultado, o principal índice da B3 acumulou baixa de 0,61% na semana, a sexta consecutiva no campo negativo. O movimento ocorreu em meio à posse de Kevin Warsh no Federal Reserve, à sinalização de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e à repercussão de pesquisa eleitoral no Brasil.

O giro financeiro da sessão somou R$ 21,0 bilhões. Em maio, o Ibovespa recua 5,93%, reduzindo o ganho acumulado no ano para 9,36%. No mercado de câmbio, o dólar avançou 0,54% e encerrou o dia na faixa de R$ 5,02.

No exterior, declarações do diretor do Federal Reserve Christopher Waller reforçaram a leitura de que os juros norte-americanos podem permanecer elevados por mais tempo. Ao mesmo tempo, dados da Universidade de Michigan mostraram piora da confiança do consumidor e alta nas expectativas de inflação. Esse quadro sustentou a alta dos juros futuros e ampliou a cautela com ativos de risco em mercados emergentes.

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Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em alta: Dow Jones, 0,58%; S&P 500, 0,37%; e Nasdaq, 0,19%. Na B3, o desempenho foi misto. Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram CSN, com 6,15%, e Usiminas, com 5,61%. Do lado das quedas, Minerva recuou 6,20% e BRF, 4,05%.

Segundo Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, o mercado operou entre dois vetores principais: o cenário externo volátil e a reconfiguração do ambiente político doméstico. Já Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen, avaliou que a combinação de incerteza geopolítica, inflação global e juros mais altos tende a reduzir a atratividade relativa de mercados emergentes como o Brasil.

Para o setor agropecuário, o recuo da Bolsa não traz efeito direto sobre a produção, mas o avanço do dólar e a perspectiva de juros elevados são variáveis acompanhadas por exportadores, cooperativas e tomadores de crédito. Câmbio e custo financeiro influenciam a formação de preços, a rolagem de dívidas e o ambiente de comercialização, embora o conteúdo disponível não detalhe impactos setoriais imediatos.

No curto prazo, a direção dos mercados deve seguir condicionada ao comportamento dos juros nos Estados Unidos, ao câmbio e à evolução do quadro político interno. Sem novos dados específicos para o agronegócio nesta sexta-feira (22), a referência técnica mais imediata para o setor permanece na trajetória do dólar e das condições financeiras.

Fonte: Estadão Conteúdo

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