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Endividamento rural eleva cautela no crédito e pressiona planejamento da safra

Tereza Cristina diz que PL das dívidas rurais trata de R$ 170 bilhões

O avanço do endividamento rural passou a elevar a cautela no mercado de crédito e a pressionar o planejamento financeiro do setor agropecuário. Dados da Serasa Experian mostram que, no terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava inadimplente. Embora o cenário ainda não seja classificado como risco sistêmico para o sistema financeiro, entidades e agentes do mercado relatam restrição maior na concessão de recursos para produtores.

Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a inadimplência está concentrada principalmente em operações com instituições financeiras. Já as dívidas diretamente ligadas à cadeia agro representam 0,3%, o que indica preservação relativa das relações comerciais dentro do setor. Ainda assim, o mercado opera com menor apetite ao risco.

Em 2025, o agronegócio registrou quase 2 mil pedidos de recuperação judicial, o maior volume da série histórica da Serasa Experian. De acordo com Pimenta, o ambiente combina juros elevados, custos de produção pressionados e aumento das recuperações judiciais, fatores que reforçam a postura mais conservadora dos financiadores.

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informa que o endurecimento do crédito já alcança inclusive produtores adimplentes. Segundo Guilherme Rios, assessor técnico da Comissão Nacional de Políticas Agrícolas da entidade, as instituições passaram a exigir mais garantias e a reduzir limites ofertados em relação a safras anteriores.

Os números citados pela CNA indicam retração nesse mercado. O volume de financiamentos para pessoas físicas com taxas de mercado caiu de R$ 111,9 bilhões, entre março de 2024 e março de 2025, para R$ 90,5 bilhões entre março de 2025 e março de 2026. A redução foi de R$ 21,4 bilhões, equivalente a 19,1%.

Na avaliação da entidade, o quadro resulta da combinação entre problemas climáticos sucessivos, volatilidade das commodities, alta de custos e falhas na gestão de riscos. Com menos crédito e condições mais rígidas, produtores já sinalizam redução de pacote tecnológico e possível diminuição de área plantada, movimento que pode afetar produtividade e investimento na safra 2026/2027.

As fontes ouvidas convergem no diagnóstico de que a renegociação mais ágil das dívidas será um ponto central para a próxima safra. Sem esse ajuste, a tendência indicada por Serasa Experian e CNA é de manutenção de um mercado de crédito mais seletivo, com custo financeiro elevado e menor capacidade de investimento no campo.

Fonte: agência.fpagropecuaria.org.br

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