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Juros futuros sobem apesar de Caged fraco e alívio no exterior

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As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta nesta quinta-feira (28), mesmo após a divulgação de um Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril abaixo das estimativas e de um ambiente externo mais favorável. No mercado local, o principal vetor foi a oferta de 21,25 milhões de títulos prefixados pelo Tesouro Nacional, volume que ampliou a pressão sobre a curva de juros futuros.

No fechamento da sessão, o DI para janeiro de 2027 subiu de 14,057% para 14,1%. O contrato para janeiro de 2029 avançou de 13,818% para 13,885%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,909% para 13,96%.

Segundo dados do mercado, o Tesouro ofertou 16 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 5,25 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). De acordo com cálculos citados pela Warren Investimentos, o volume financeiro do leilão foi 100% maior do que o da semana anterior, com risco 89% superior.

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Para Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, a colocação de prefixados pesou sobre a curva ao longo do dia, diante de uma capacidade de absorção limitada pelo mercado. Na mesma linha, o movimento técnico acabou se sobrepondo ao recuo dos rendimentos dos Treasuries, à valorização do real e ao dado mais fraco de emprego formal.

O Caged mostrou abertura de 85.888 vagas em abril, abaixo do piso de 130 mil vagas das estimativas de mercado. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua indicou taxa de desemprego de 5,8% no trimestre encerrado em abril, ante 6,1% no trimestre anterior. Para economistas, os indicadores são compatíveis com uma acomodação gradual do mercado de trabalho.

Após os dados, a curva passou a indicar probabilidade de 84% para um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), acima dos 80% observados pela manhã. Para o agronegócio, esse quadro é acompanhado de perto porque mudanças na Selic e nos juros de mercado afetam o custo de capital, o crédito rural fora das linhas equalizadas e o financiamento de armazenagem, máquinas e capital de giro.

O comportamento da curva mostrou que fatores técnicos e emissões do Tesouro seguiram com peso relevante na formação das taxas, mesmo em um dia de dados que, isoladamente, poderiam favorecer alívio nos juros. A direção das próximas sessões dependerá da leitura sobre inflação, atividade e sinalização do Banco Central. Até o momento, não há base suficiente para projetar mudança estrutural além do curto prazo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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