O Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central (Comef/BC) informou nesta quarta-feira (3), em ata da 65ª reunião, que o ambiente de taxa básica de juros em nível contracionista e o endividamento elevado de famílias e empresas exigem cautela e diligência adicionais na concessão de crédito. Segundo o colegiado, a materialização de risco segue pressionada, com avanço entre empresas de diferentes portes e também no crédito às famílias.
Na avaliação do Banco Central (BC), as empresas continuam sentindo os efeitos do aperto monetário, embora a maior parte das corporações ainda apresente resiliência. A ata registra que a materialização de risco permaneceu alta e em ascensão para todos os portes de empresas.
No segmento das famílias, o Comef afirmou que os níveis de ativos problemáticos e a probabilidade de default seguem indicando pressão sobre o risco de crédito. O colegiado acrescentou que o endividamento e o comprometimento de renda das famílias permanecem em patamar historicamente elevado e continuam avançando.
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O documento também destaca a mudança na composição da dívida. Segundo a ata, o aumento da participação de modalidades mais onerosas tende a pressionar ainda mais o comprometimento de renda. O comitê informou que continuará aprofundando o debate sobre esse tema.
Do ponto de vista econômico, a sinalização do BC reforça um cenário de crédito mais seletivo, com análise de risco mais rigorosa por parte das instituições financeiras. Para o setor produtivo, esse ambiente tende a manter atenção elevada sobre custo financeiro, capacidade de pagamento e perfil de endividamento. A ata não traz recorte setorial nem detalha efeitos específicos sobre o agronegócio, o crédito rural ou segmentos da agroindústria.
Ainda assim, juros elevados e maior cautela bancária são fatores acompanhados por produtores, cooperativas e empresas do campo, porque influenciam capital de giro, investimento, armazenagem, compra de insumos e gestão de fluxo de caixa, a depender da linha de financiamento e das condições oferecidas no mercado.
Sem apresentar medidas novas, a ata do Comef indica continuidade do monitoramento sobre inadimplência, endividamento e qualidade do crédito. Como o documento não detalha prazo para mudança de cenário, a referência técnica disponível é de manutenção da cautela nas concessões enquanto persistirem juros elevados e pressão sobre a capacidade de pagamento.
Fonte: Estadão Conteúdo
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