Um estudo divulgado nesta quarta-feira (3) pela presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostra que 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas no começo da elaboração de planos de ação para enfrentar o calor extremo. O levantamento analisou 53 municípios e identificou lacunas em planejamento, uso de dados e capacidade de resposta. Embora o foco seja urbano, o avanço de ondas de calor e a possibilidade de um Super El Niño em 2026 ampliam a atenção sobre efeitos também no campo.
Segundo o estudo, 93% dos gestores consideram o calor extremo um problema relevante e 68% o colocam entre os três principais desafios locais. Apesar disso, 75% das cidades não usam dados de forma estruturada para apoiar decisões, 85% dependem de recursos externos para medidas de adaptação e apenas 42% têm sistemas de informações geográficas para mapear riscos.
As ações mais presentes são soluções baseadas na natureza. Arborização urbana, áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas aparecem em 77% dos municípios. Já estratégias de resfriamento passivo, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e materiais refletivos, estão em 21% ou menos das cidades. Mais de 80% dos municípios também não desenvolveram critérios sustentáveis de compras públicas voltados ao resfriamento urbano.
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Os pesquisadores definem calor extremo como a condição em que o calor acumulado durante o dia não se dissipa à noite por dois ou mais dias seguidos. O Pnuma informa que o fenômeno provoca cerca de 500 mil mortes por ano no mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas.
Para o setor agropecuário, o tema ganha relevância porque a persistência de calor, combinada com seca ou falhas de adaptação, pode afetar disponibilidade de água, desempenho de lavouras, pastagens, bem-estar animal, risco de incêndios e demanda por energia. O estudo não apresenta recorte específico para áreas rurais, mas o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) corrobora a possibilidade de um Super El Niño na segunda metade de 2026, com potencial de intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, ampliar ondas de calor no Centro do país e elevar o risco de chuvas extremas no Sul.
Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, e 28% planejam intervenções em áreas mais vulneráveis. Para a agropecuária, o monitoramento das condições oceânicas e atmosféricas deverá seguir como referência técnica central, já que os efeitos de calor persistente e de um possível El Niño mais intenso dependem da evolução climática nos próximos meses.
Fonte: agênciabrasil.ebc.com.br
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