O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) ficou praticamente estável em maio de 2026, ao marcar 130,8 pontos, com queda de 0,2 ponto ante abril. Segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (5), os avanços de cereais e açúcar foram compensados por recuos em óleos vegetais e lácteos, enquanto o índice de carnes permaneceu quase inalterado. Na comparação anual, o indicador ficou 2,9% acima de maio de 2025.
O índice de grãos da FAO subiu para 114,3 pontos em maio, alta de 2,6% sobre abril e de 4,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. De acordo com a entidade, os preços do trigo avançaram pelo quarto mês seguido, sustentados por perspectivas de colheitas menores entre grandes exportadores, incluindo os Estados Unidos, além de custos mais altos de combustíveis e fertilizantes.
No milho, a FAO apontou demanda de importação mais forte, menor disponibilidade no Brasil e nos Estados Unidos e preços de energia mais firmes, fator que reforçou a demanda ligada ao etanol. O arroz também subiu 2,7% em maio, em meio a preocupações climáticas e ao encarecimento do petróleo bruto em países exportadores asiáticos.
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Em sentido oposto, o índice de óleos vegetais recuou para 185,0 pontos, baixa de 4,6% frente a abril. O movimento foi puxado pelos óleos de palma e soja. No caso da soja, a FAO citou aumento sazonal da oferta exportável na América do Sul, enquanto a demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos sustentou parcialmente as cotações.
O índice de carnes ficou em 130,5 pontos, com leve alta de 0,1%. A carne bovina subiu com demanda de importação mais forte, principalmente da China e dos Estados Unidos. Já o açúcar avançou 7,5%, para 95,1 pontos, diante da expectativa de oferta global mais apertada. A FAO destacou que, no Centro-Sul do Brasil, a menor participação da cana destinada ao açúcar elevou a expectativa de maior direcionamento ao etanol, embora a moagem forte na segunda quinzena de abril tenha limitado a alta.
Os dados da FAO indicam um mercado internacional ainda sustentado por fatores de oferta, energia e clima. Para o setor agropecuário, a leitura técnica é de atenção às cadeias mais expostas a custos, disponibilidade exportável e demanda por biocombustíveis. O comunicado não traz projeção consolidada para os próximos meses além dos vetores de oferta global e clima já identificados.
Fonte: Estadão Conteúdo
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