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Acordo com Irã reacende críticas internas nos EUA e tensão com Israel

Acordo com Irã reacende críticas internas nos EUA e tensão com Israel

O memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos (EUA) e Irã pode ser considerado uma derrota americana e uma vitória iraniana, na avaliação de especialistas.

O acordo prevê o fim das sanções contra o Irã, a liberação de ativos do país persa e US$ 300 bilhões para a reconstrução do país. Em contrapartida, o Irã se compromete a não desenvolver armas nucleares.

O documento determina ainda a interrupção dos ataques militares, inclusive no Líbano, e a reabertura do Estreito de Ormuz.

O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos afirma que se trata da maior vitória de um rival dos Estados Unidos em muito tempo.

“E assim, se o Irã conseguiu toda essa capacidade de mísseis e drones sancionado como é, imagina agora com acesso a mais recursos e inserção econômica. Os Estados Unidos não conseguiram absolutamente nada. O acordo é basicamente um retorno ao  ‘JCPOA’ (Plano de Ação Conjunto Global) do Obama, só que com mais inserção econômica iraniana. Por isso mesmo, o Trump já está sendo profundamente criticado na mídia israelense.

Por outro lado, João Alfredo Niegrei, professor de geopolítica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, avalia que os Estados Unidos conseguiram alguns avanços, mas menos do que prometiam.

“Reabriu o Hormuz e reduzir com isso o risco de choque energético global. Segundo interrompeu uma guerra que poderia se tornar politicamente custosa e militarmente imprevis que o que vinha sendo Terceiro trazer o Ir de volta a uma negocia nuclear supervisionada e eu acho que isso n irrelevante Mas tamb isso menos do que o Trump prometia publicamente, quando falava em impedir definitivamente o programa nuclear iraniano.”

Já o Irã saiu do conflito sem precisar abrir mão do programa nuclear. Ou seja, manteve tudo como estava e levou o tema para futuras negociações, destaca João Alfredo.

“O ponto central é que o Irã reafirma que não buscará armas nucleares, mas essa já era a sua posição oficial. O que o Irã não faz, pelo menos no memorando, é aceitar a capitulação nuclear imediata. E é exatamente por isso que aliados republicanos e Trump criticaram justamente esse aspecto.”

As dúvidas recaem sobre a atitude de Israel, que questiona o acordo. O lobby de organizações israelenses nos Estados Unidos representa um risco, acredita Ali Ramos.

Além do governo Benjamin Netanyahu, que esse acordo aqui basicamente galvaniza uma acachapante derrota para Israel sob a tutela de Netanyahu e basicamente vai servir também para, digamos assim, desconstruir a capacidade que Israel teve de ser, digamos assim, que não só a maior potência militar, mas de ser visto para os seus adversários.

O memorando foi assinado nessa quinta-feira, de forma eletrônica, por Estados Unidos e Irã. Agora, um acordo de paz definitivo depende de negociações que devem se estender por sessenta dias.


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