O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quarta-feira (3) que rejeitou mais de R$ 1,1 bilhão em pedidos de financiamento rural de produtores donos de propriedades com indícios de desmatamento ilegal nos últimos três anos. Segundo o banco, foram registrados 5.592 alertas ativos entre fevereiro de 2023 e abril de 2026. Esse volume corresponde a cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural encaminhadas ao BNDES no período.
De acordo com o BNDES, o monitoramento das propriedades rurais é feito em parceria com o MapBiomas para evitar a liberação de recursos a imóveis com indícios de irregularidade ambiental. Em nota, o banco afirmou que adota regras mais rígidas do que as definidas pelo Banco Central (BC) para a concessão de crédito rural.
Segundo a instituição, em regra, é vedado o financiamento em propriedades com indícios de desmatamento ilegal. O banco também informou que, desde 2023, o volume de financiamentos evitados equivale a quase R$ 1 milhão por dia em solicitações de crédito não contratadas por esse motivo.
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O BNDES considera como crédito rural as operações dos programas agropecuários do governo federal com juros equalizados, as contratações da linha BNDES Crédito Rural e as operações com marcação de crédito agrícola pelo BC.
No recorte regional, o Nordeste apresentou a maior proporção de recursos evitados: 1,7% dos R$ 7,8 bilhões solicitados. No Norte, o percentual também foi de 1,7% sobre R$ 6,2 bilhões demandados. No Centro-Oeste, foram bloqueados 0,7% dos R$ 29,7 bilhões pedidos. No Sul, a fatia vetada chegou a 0,8% de R$ 73,2 bilhões. Já no Sudeste, o percentual foi de 0,5% sobre R$ 23 bilhões solicitados.
Os dados indicam que o controle socioambiental passou a integrar de forma mais direta a análise de crédito rural. Na prática, produtores com alertas ativos podem ter acesso restringido a linhas financiadas ou operadas pelo banco, conforme os critérios adotados pela instituição.
Até o momento, o BNDES não detalhou, no material divulgado, a distribuição dos vetos por cadeia produtiva, porte de produtor ou área envolvida, o que limita uma avaliação mais específica dos efeitos sobre cada segmento do agro. Os números, no entanto, mostram que critérios ambientais seguem como parte da triagem para concessão de recursos no crédito rural.
Fonte: Estadão Conteúdo
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