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Dólar fecha a R$ 5,1803 com tensão no Oriente Médio e juros altos nos EUA

Dólar fecha acima de R$ 5,05 e acumula alta de 3,55% na semana

O dólar à vista fechou em alta de 0,45% nesta segunda-feira (8), cotado a R$ 5,1803, no maior nível desde 30 de março de 2026. O movimento ocorreu após a retomada da busca por proteção no mercado, diante da avaliação de que o cessar-fogo no Oriente Médio segue frágil. Também pesou a leitura de que os Estados Unidos podem manter juros elevados por mais tempo, após o payroll de maio vir acima do esperado na semana passada.

Depois de abrir em queda e tocar a mínima de R$ 5,1335, a moeda americana inverteu o sinal ao longo da manhã e alcançou R$ 5,1951 na máxima do dia. No fim da tarde, o contrato futuro para julho avançava 0,19%, a R$ 5,2100. O movimento ocorreu mesmo com leve baixa de 0,06% do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a divisas fortes.

Segundo Guilherme Souza, economista da Ativa Investimentos, parte relevante do estresse cambial está ligada ao conflito no Oriente Médio. O mercado voltou a operar com maior cautela após novos relatos de ataques entre Irã e Israel no fim de semana, o que elevou a percepção de incerteza internacional.

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Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, afirmou que o mercado segue pessimista mesmo com a possibilidade de acordo diplomático, diante do poder de barganha do Irã em torno do Estreito de Ormuz. Nesse ambiente, o petróleo Brent para agosto subiu 1,25%, para US$ 94,25 por barril.

Além do fator geopolítico, o payroll forte dos Estados Unidos reforçou a expectativa de juros elevados pelo Federal Reserve. Souza e Saadia avaliam que esse cenário reduz o apetite por operações de carry trade e favorece a migração de recursos para títulos do Tesouro americano.

Para o agronegócio, a alta do dólar tende a alterar a formação de preços no mercado interno. A valorização da moeda americana pode dar sustentação às receitas de exportadores de soja, milho, carnes, café e açúcar. Em contrapartida, também pode elevar custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros insumos atrelados ao mercado externo.

O comportamento do câmbio nos próximos dias deve continuar condicionado à evolução do conflito no Oriente Médio e às expectativas para os juros nos Estados Unidos e no Brasil. Sem mudança nesses vetores, o mercado deve seguir sensível ao aumento da aversão ao risco e à revisão das posições em moedas de países emergentes.

Fonte: Estadão Conteúdo

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