A economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, afirmou nesta terça-feira (9), em São Paulo, que o principal risco para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é uma eventual escalada de tarifas após as medidas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo ela, o país deve permanecer na negociação para evitar novas barreiras comerciais. A avaliação foi apresentada no Seminário Econômico Brasil-EUA, organizado pelo Lide.
De acordo com Fernandez, a tarifa comercial dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, na média ponderada, era de cerca de 11%. Pelos cálculos apresentados pela economista, esse percentual pode subir para 19% caso se confirme o anúncio adicional de tarifas de 25% ao Brasil.
Segundo a economista, o efeito das tarifas não é uniforme. Ela afirmou que uma alíquota mais alta pode atingir cadeias específicas, ainda que o impacto agregado sobre as exportações brasileiras para os EUA hoje seja limitado, porque esse fluxo ainda é relativamente pequeno em comparação com outros mercados e canais da economia.
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A avaliação do JPMorgan é que o maior risco está na resposta brasileira às medidas americanas. Na leitura de Fernandez, uma retaliação com novas tarifas de importação ampliaria a pressão inflacionária doméstica em um ambiente macroeconômico já deteriorado.
Ela também destacou uma assimetria na relação bilateral. De um lado, há pressão tarifária sobre o comércio. De outro, permanece relevante o fluxo de investimento direto dos Estados Unidos no Brasil. Segundo Fernandez, o investimento direto no país neste ano deve somar 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), dos quais cerca de 19% teriam origem americana. O percentual, segundo ela, supera a participação estimada da China, entre 7% e 8%.
Para setores exportadores, incluindo cadeias agroindustriais, o quadro exige monitoramento porque mudanças tarifárias podem alterar competitividade, custo de acesso ao mercado americano e decisões de investimento. O material apresentado no evento não detalhou quais segmentos seriam mais afetados.
A orientação defendida pela economista é preservar a mesa de negociação e o ambiente de investimento, com foco em previsibilidade regulatória e estabilidade macroeconômica. Sem definição sobre a efetivação das novas tarifas e sem recorte setorial detalhado, ainda não há base suficiente para dimensionar os efeitos sobre cada cadeia produtiva.
Fonte: Estadão Conteúdo
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