A Fitch Ratings informou neste domingo (8) que revisou de neutra para positiva a perspectiva global do setor de petróleo e gás para 2026 e passou a projetar o petróleo Brent entre US$ 100 e US$ 110 por barril em junho e julho. A revisão considera o fechamento do Estreito de Ormuz em meio ao conflito no Oriente Médio. A agência também ampliou de um a dois meses para cerca de cinco meses a estimativa para a duração da interrupção da rota, agora prevista até o fim de julho.
Segundo a Fitch, a restrição de oferta no curto prazo deve sustentar os preços em patamar elevado e ampliar receitas e margens das empresas do setor. A agência informou ainda que, no cenário-base, o preço médio do Brent em 2026 ficará em US$ 87 por barril, acima da média efetiva de US$ 68 registrada em 2025.
A projeção considera que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) poderá elevar a produção até a capacidade máxima para compensar parte dos volumes perdidos durante o fechamento do estreito. Antes do conflito, a capacidade ociosa do grupo era estimada em 3,6 milhões de barris por dia.
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Apesar da alta recente, a Fitch prevê correção dos preços após a reabertura de Ormuz. A expectativa da agência é de que o Brent recue para cerca de US$ 70 por barril em setembro, nível que considera mais alinhado aos fundamentos de oferta e demanda, ainda com prêmio residual de risco geopolítico.
A classificação de risco também avalia que a recuperação da produção tende a ser rápida após a reabertura da passagem marítima, porque não houve, até o momento, registro de danos materiais à infraestrutura petrolífera da região no conteúdo divulgado. O petróleo armazenado em navios e estoques terrestres deverá ser comercializado primeiro, seguido pela retomada da produção interrompida.
Para o agronegócio, o movimento do Brent é acompanhado por seu efeito sobre combustíveis, frete e custos energéticos. Esses repasses, no entanto, dependem da duração efetiva do bloqueio, da resposta da oferta global e da formação de preços nos mercados domésticos.
A Fitch também projeta retorno do excesso de oferta no quarto trimestre de 2026, fator que pode pressionar as cotações para baixo depois do período de maior tensão no Oriente Médio. O comportamento dos preços anuais, segundo a agência, seguirá condicionado ao tempo de bloqueio do Estreito de Ormuz e à capacidade de recomposição da oferta internacional.
Fonte: Estadão Conteúdo
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