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FMI diz que inflação ancorada pode reduzir efeito do petróleo na América Latina

Fazenda afirma que quadro fiscal ajuda a mitigar efeitos da guerra na economia

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicado nesta terça-feira (26), afirma que expectativas de inflação mais bem ancoradas na América Latina devem ajudar a amortecer os efeitos da alta do petróleo ligada ao conflito no Oriente Médio. Segundo o relatório, a credibilidade construída pelos bancos centrais da região ao longo do tempo reduz a transmissão de choques temporários de energia e outras commodities para a inflação mais ampla.

De acordo com o FMI, quando empresas, consumidores e agentes econômicos não projetam que uma alta temporária do petróleo vá se transformar em inflação persistente, o repasse para os preços em geral tende a ser mais limitado. O relatório destaca que esse processo ajuda a reforçar a resiliência da região diante de choques externos.

O fundo informa que as previsões de inflação na América Latina ainda permanecem, em média, mais distantes das metas oficiais do que nas economias avançadas. Mesmo assim, a dispersão dessas expectativas é semelhante à observada nesses países, o que, segundo o estudo, é compatível com a atuação de autoridades econômicas consideradas confiáveis e inseridas em marcos institucionais.

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Para o setor agropecuário, o tema tem relação direta com custos de produção e logística. A alta do petróleo pode pressionar combustíveis, frete e energia, além de influenciar outras commodities. Em cadeias dependentes de transporte rodoviário, armazenagem e insumos industrializados, a forma como esse choque chega aos preços internos é um fator relevante para produtores, cooperativas e agroindústrias.

O FMI ressalta, porém, que a credibilidade monetária pode ser perdida com rapidez. O estudo concluiu que uma política monetária mais restritiva do que o esperado gera ganhos modestos e graduais na ancoragem das expectativas. Já uma condução mais expansionista do que a prevista tende a provocar efeitos negativos mais fortes, com maior risco de descolamento da inflação em relação à meta.

O documento cita Brasil, Chile e Argentina como exemplos de como mudanças na política monetária afetam as expectativas. O fundo também observa que o regime monetário mais adequado depende do contexto de cada país.

A avaliação técnica do FMI indica que o apoio institucional amplo continua sendo peça central para preservar a confiança na política monetária. Sem essa base, choques em petróleo, energia e commodities podem ter transmissão maior para a inflação, com reflexos mais amplos sobre custos e planejamento das cadeias produtivas. O estudo não detalha, no material informado, estimativas numéricas de impacto por país.

Fonte: Estadão Conteúdo

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