O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (3), durante participação por videoconferência no XIV Fórum de Lisboa, que os choques recentes de oferta na economia mundial criaram uma dissonância entre os indicadores oficiais de inflação e a percepção da população sobre o custo de vida. Segundo ele, o movimento também tem influenciado as expectativas de inflação e a reação dos mercados de juros.
Galípolo explicou que o Banco Central mira a inflação, enquanto a população percebe de forma mais direta o nível de preços. Na prática, a cada choque de oferta, os preços sobem de forma mais rápida. Mesmo que a inflação recue no ano seguinte, o efeito sobre o orçamento permanece caso a renda não acompanhe a mesma velocidade.
Segundo o presidente do Banco Central, essa diferença ajuda a explicar por que a sensação de encarecimento pode persistir mesmo em um cenário de inflação mais comportada. Ele afirmou ainda que o Brasil está no menor nível do chamado index misery, indicador que soma inflação e desemprego, mas ponderou que isso não tem se traduzido automaticamente em percepção mais favorável sobre a economia.
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Galípolo também disse que os choques recentes passaram a influenciar as projeções dos economistas. De acordo com ele, após anos de inflação mais alta e surpresas nos preços, parte do mercado tem incorporado esse histórico recente nas estimativas futuras, o que ajuda a manter expectativas mais elevadas.
Ao tratar do choque mais recente, associado à guerra no Irã, Galípolo afirmou que houve aumento da curva de juros em diversas economias. Segundo ele, os preços futuros reagiram de forma a elevar os juros mais do que os próprios preços, em um ambiente de crescimento mais fraco, condições financeiras mais apertadas e inflação ainda em avanço.
Embora a fala tenha tratado da economia de forma ampla, inflação e juros seguem no centro das decisões de investimento e financiamento no setor produtivo, incluindo atividades que dependem de crédito e planejamento de custos. O Banco Central não detalhou, na fala citada, impactos setoriais específicos.
A avaliação apresentada por Galípolo indica que o Banco Central segue observando não apenas a inflação corrente, mas também a formação de expectativas e a reação do mercado de juros após choques de oferta. Sem dados adicionais sobre medidas futuras, não há base técnica, neste momento, para projetar mudanças imediatas na condução da política monetária a partir dessa fala.
Fonte: Estadão Conteúdo
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