As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas registraram forte queda em abril, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
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De acordo com a entidade, o consumo aparente de máquinas e equipamentos caiu 20,6% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, totalizando R$ 27,76 bilhões. O resultado eliminou a recuperação observada em março e aprofundou a retração acumulada no ano para 13,7%.
Ainda de acordo com a Abimaq, a desaceleração deixou de ser pontual e passou a atingir diferentes segmentos da indústria de bens de capital, especialmente os ligados ao agronegócio e à indústria de transformação.
Em abril, a receita líquida total das vendas de máquinas agrícolas caiu 22,2%, para R$ 4,2 bilhões, em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
No acumulado do ano, a receita totalizou R$ 17 bilhões, um recuo de 17,9% em relação ao mesmo período em 2025.
Queda atinge máquinas nacionais e importadas
O levantamento aponta que a retração ocorreu tanto nas compras de máquinas produzidas no Brasil quanto nas importadas.
As aquisições de equipamentos nacionais recuaram 26,6% em abril, enquanto as importações caíram 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para a Abimaq, o movimento indica um enfraquecimento mais disseminado do investimento produtivo no país.
A receita líquida de vendas da indústria de máquinas atingiu R$ 21,3 bilhões em abril, com queda de 14,9% na comparação anual. No acumulado de janeiro a abril, o recuo chega a 12%.
Exportações crescem, mas não compensam retração interna
Apesar do avanço das exportações de máquinas e equipamentos em abril, o desempenho externo ainda não foi suficiente para compensar a fraqueza do mercado doméstico.
Os embarques cresceram 41,7% na comparação anual, somando US$ 1,47 bilhão no mês. Ainda assim, a entidade alerta que parte desse avanço ocorreu devido a uma base fraca de comparação em 2025 e à entrega pontual de grandes projetos industriais.
Outro fator que preocupa o setor é o aumento da participação de produtos importados no mercado brasileiro. Segundo a Abimaq, as importações passaram a representar 49% do consumo nacional de máquinas e equipamentos nos primeiros meses de 2026.
A China segue como principal origem das máquinas importadas pelo Brasil, com destaque para equipamentos destinados à logística, construção civil, indústria e agricultura.
Projeções
O enfraquecimento da atividade também começou a impactar o mercado de trabalho. Em abril, o setor fechou cerca de mil vagas, principalmente nos segmentos ligados ao agronegócio.
Diante do cenário mais desafiador, a Abimaq revisou suas projeções para 2026. A expectativa anterior era de crescimento de 0,7% na receita interna do setor, mas agora a entidade projeta queda de 2,7%.
A associação avalia que a combinação entre juros elevados, crédito restrito, perda de competitividade da indústria nacional e menor confiança para novos investimentos deve continuar pressionando o desempenho da indústria de máquinas ao longo dos próximos meses.
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