A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (29) a manutenção da bandeira tarifária amarela para o mês de junho. Com isso, consumidores de energia elétrica continuarão pagando adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. Segundo a agência, a decisão reflete a piora nas condições de geração no país, em meio à redução das chuvas.
A bandeira amarela já havia sido acionada em maio, após a agência identificar chuvas abaixo da média e maior pressão sobre a geração hidrelétrica. Em nota, a Aneel informou que o anúncio para junho ocorre devido ao período seco no Brasil, que reduz a produção das usinas hidrelétricas e amplia a necessidade de acionamento de termelétricas, fonte com custo mais elevado.
Antes da decisão, projeções da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicavam a possibilidade de adoção da bandeira vermelha patamar 1 em junho. Nesse caso, o adicional subiria para R$ 4,463 a cada 100 kWh consumidos. A manutenção da bandeira amarela indica custo menor que o projetado nesse cenário, mas mantém pressão sobre despesas com energia.
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De janeiro a abril de 2026, a bandeira tarifária permaneceu verde, em função de condições mais favoráveis de geração. Em março, o volume de chuvas foi considerado satisfatório, após elevação registrada em fevereiro, o que contribuiu para a melhora dos reservatórios das hidrelétricas. Ainda assim, o quadro mudou nas semanas seguintes.
Outro fator acompanhado pelo setor é a possibilidade de El Niño no segundo semestre, com potencial de elevar temperaturas e reduzir chuvas no Norte e no Nordeste. A Aneel também citou o risco hidrológico e o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) entre os elementos que influenciam o custo da energia.
Para o setor agropecuário, a tarifa de energia tem efeito sobre atividades com uso intensivo de eletricidade, como irrigação, armazenagem refrigerada, ordenha, avicultura, suinocultura e processamento agroindustrial. O impacto final depende do perfil de consumo de cada operação e das condições climáticas dos próximos meses.
O comportamento das chuvas e dos reservatórios seguirá no centro do monitoramento do setor elétrico. Sem novos dados oficiais sobre os próximos ciclos de bandeiras, a tendência para o segundo semestre dependerá da evolução das condições hidrológicas e do custo de geração no país.
Fonte: Estadão Conteúdo
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