Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira (14) e bateram o maior valor em um mês, após a retomada das agressões militares entre Estados Unidos e Irã.
Os dois principais indicadores, Brent e WTI, estiveram acima dos US$ 80, por barril, na maior parte da manhã desta terça.
O professor de Geopolítica da PUC-Paraná, João Nyegray, explica que a guerra tem se mostrado impopular nos EUA, onde os preços da gasolina têm subido e as eleições legislativas de novembro se aproximam.
“O Irã sabe que não pode competir simetricamente com o poder naval e aéreo dos Estados Unidos, e sua vantagem está na geografia. Ormuz é uma passagem estreita, vulnerável a mísseis costeiros, drones, minas. Teerã pode, sim, gerar efeitos econômicos globais com recursos militares relativamente menores. A lógica iraniana parece ser: aumentar o custo da guerra para Washington, por vários canais. Elevar o preço do petróleo e, consequentemente, da gasolina, nos Estados Unidos. Isso cria uma pressão eleitoral sobre Donald Trump.”
O Comando Central dos Estados Unidos confirmou a mais recente onda de ataques contra o Irã, na última noite.
Durante cinco horas, as forças norte-americanas atingiram diversas áreas para reduzir a capacidade de fogo do Irã contra o transporte marítimo. Mais de 50 mil militares estão hoje mobilizados no sudoeste asiático.
O Comando Central também anunciou a tentativa de bloquear, novamente, o tráfego marítimo de entrada e saída de portos iranianos, a partir das 17h desta terça, no horário de Brasília.
O professor Nyegray lembra que, nessa segunda-feira, Donald Trump declarou que os Estados Unidos garantiriam a abertura do Estreito de Ormuz e que cobrariam uma taxa de 20%.
“Uma dessas companhias de navegação classificou a cobrança como equivocada. E alertou para o precedente que ela pode estabelecer em outros estreitos internacionais. Trump não esclareceu quem é que pagaria a cobrança, como é determinado o valor da carga, caso recusem a pagar, ou qual seria a base legal para impedir sua passagem. E, mesmo que não seja implementada literalmente, essa fala do Trump deve ser levada a sério como um sinal estratégico: o presidente dos Estados Unidos está dizendo que a liberdade de navegação vai ter custo e que os Estados Unidos não vão assumir sozinhos a despesa militar de manter Ormuz aberto.”
O último bloqueio, por parte dos norte-americanos, terminou em 18 de junho.
Durante dois meses, os navios norte-americanos redirecionaram mais de 140 embarcações e neutralizaram nove navios.
Já a Guarda Revolucionária do Irã disse que atingiu uma base aérea dos Estados Unidos, na Jordânia. O país respondeu, declarando ter abatido quatro mísseis.
A nova escalada de ataques está provocando reação entre os países.
Segundo a Agência Reuters, os Emirados Árabes Unidos tiveram dois navios-tanque alvos de disparos iranianos no Estreito de Ormuz. E o Ministério das Relações Exteriores da Índia apresentou um protesto formal ao Irã, por causa da morte de um cidadão indiano que estava entre os 46 tripulantes de duas embarcações comerciais atacadas.
Um navio norueguês pegou fogo após a explosão de um “dispositivo externo não identificado “enquanto navegava no Mar Arábico, próximo da costa de Omã.
A Agência Europeia de Aviação recomendou que as companhias evitem operar no espaço aéreo do Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos, assim como sobre o Golfo de Omã, pelas próximas duas semanas.













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